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Sábado, 25 de Abril 2026
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A fome que o mapa não mostra

Brasil reduziu a insegurança alimentar de acordo com a ONU, mas celebração não chegou às bordas da cidade, onde crianças, jovens e idosos continuam pulando refeições

A fome que o mapa não  mostra
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No Brasil, a fome é medida pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). São quatro níveis, registrados em planilhas do IBGE: segurança alimentar significa acesso regular a refeições adequadas; na insegurança leve, há receio de faltar alimento; na moderada, as refeições diminuem; na grave, há dias sem comer. É técnica. Mas a privação também se mede pelo eco na geladeira. Para os órgãos de controle, é número. Não tem rosto.

Nas periferias, território formado por autoconstrução e ausência de infraestrutura pública, a rotina começa antes do sol. Abre-se a porta da geladeira: duas garrafas de água, restos de farinha, um pote de açúcar quase vazio e um ovo. A cena representa 58,7% da população urbana com algum grau de insegurança alimentar. Desses, 28,5 milhões estão no nível grave. É o caso de dona Izabel, que mistura açúcar e água, serve às duas crianças antes da escola e chama de café da manhã. Se o mais novo não reclamar, divide-se o que há entre os dois. Ela? Come mais tarde, se der. Mas, como é dia de aula, a refeição está garantida. Barriga cheia, ao menos naquela manhã.

O Brasil comemorou, e já não era sem tempo, ter saído do Mapa da Fome em 2024 — e com razão. A celebração não chegou às bordas da cidade, onde crianças, jovens e idosos continuam pulando refeições. Nos domicílios chefiados por mulheres, 20,8% enfrentavam insegurança alimentar leve, 6,2% estavam em situação moderada e 4,6% viviam em condição grave (RASEAM 2025). Apesar dos auxílios, em lares chefiados por mulheres negras com filhos, como o de dona Izabel, o Bolsa Família cobre apenas parte do custo de uma cesta básica. O restante vem de fiado, de favores ou da habilidade de multiplicar o pouco.

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Viver longe do centro encarece tudo. O trajeto diário ao trabalho pode levar até três horas. Se a renda vem de bicos, empregos temporários ou outras receitas advindas da informalidade, talvez alcance um salário-mínimo. A insegurança alimentar não é só sobre abastecimento, envolve distância, transporte e disponibilidade de serviços públicos. Quando 26% das casas não têm abastecimento regular de água e 34% carecem de coleta de esgoto, preparar arroz deixa de ser tarefa simples e passa a ser desafio logístico.

Fonte/Créditos: Jovem Pan

Créditos (Imagem de capa): Freepik - Gerada com IA

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