A sabedoria é um valor disponível para poucos. Ela exige uma certa transcendência do terreno para o mundo da espiritualidade, que nós, os humanos, desprezamos à medida que nos proclamamos autossuficientes; como se fôssemos deuses, enfim.
Seres que assim se definem acabam habitando a caverna de Platão, e resistem sair dela. O mito da caverna é das histórias alegóricas mais conhecidas da filosofia. Foi concebida tendo como objetivo curar a cegueira e a ilusão humanas por meio da reflexão, e permitindo, assim, que conheçam a sabedoria. Que habita, naturalmente, do lado externo dela.
O Brasil, por sua extensão territorial e expressão populacional, pode muito bem ser visto como uma monumental caverna de Platão. Milhões de imbecilizados mentais ali enterram suas vidas, se acham confortáveis nela e negam- se a ver a luz que há no seu exterior. Negam-se, portanto, a sequer experimentar a deliciosa e instigante sabedoria que lhes abrirá as portas do bem viver.
Precisamos dar um "salto quântico" em nossas vidas, quem sabe imitando os elétrons da descoberta de Niels Bohr(criador da Física Quântica). Esse salto tem de ser de uma órbita baixa para uma mais elevada, próxima do núcleo atômico onde fervilham energias e resplandece a luz. Sair da caverna de Platão, porém exige consciência e determinação. É do que nosso povo tanto carece, hipnotizado que foi por narrativas mentirosas e falácias abomináveis que dominam suas mentes preguiçosas e indolentes.
Fincar o pé na caverna de Platão é, afinal, confortável e um modo de viver dessa gente. Enquanto convivermos com a caverna de Platão enraizada no imaginário popular de multidões ignóbeis e conformistas sociais, nosso projeto de ser uma grande nação fica para um futuro distante e incerto. O que nos resta, sim, é tornarmos esta nação num grandioso e desalentado albergue. Quanta desilusão!