Meus caríssimos amigos, o Brasil está numa situação complicada, sendo delicado.
Estamos num regime ditatorial, as condições estão piorando e só continuarão piorando, o povo parece hipnotizado e só percebe a realidade político-partidária do Estábulo Nacional e adjacências. A cultura segue posta de lado, a economia está afundando e vai piorar e a liberdade de expressão vai diminuir ainda mais num país onde jornalistas e influenciadores são perseguidos por divergirem do Estado. Finalmente, seguimos compreensivelmente sem liderança, nossos grandes nomes mostram um mundo totalmente diferente deste que pintei aqui com as duras cores da realidade. O povo, sem representação num sistema que o tornou desnecessário, coloca suas esperanças numa eleição que não permite sequer que contemos os votos pois eles não existem.
Tudo isso é simples expressão da realidade. Não há como mudar isso tão cedo. Ficaremos à mercê desses bandidos que tomaram o poder no país usando a oligarquia sanguessuga que sempre sangrou a nação para atropelar a vontade do povo. Inclusive com o beneplácito das nossas lideranças de então.
Tal estado de coisas vai permanecer por muito tempo ainda. Sou um patriota apaixonado mas não sou irresponsável de dizer a todos que vamos acordar de um dia para o outro num mar de rosas.
Já disse e repito: quem puder, saia em boas condições e ajude de fora. Não há vergonha nisso e garanto que quem saiu da Alemanha em 38 ajudou mais que os que terminaram seus dias em Treblinka.
Mas, e quem não pode sair?
É por esses, como diria uma grande alma, que os sinos dobram. E é para esses que dirijo essas palavrinhas.
O amor é um ato de vontade. Acima de tudo, vontade. Isso foi dito por todo pensador digno do nome que conheço. E confirmo a exatidão dessa declaração por experiência própria. Da mesma forma que podemos querer amar, podemos deixar de amar.
Se isso funciona para algo tão grande como o amor, maior força do Universo, isso deve nos dizer algumas coisas. Se vamos ficar por aqui e aguentar a tempestade que chegou precisaremos construir nossa resiliência e nossa coragem na forja da plena consciência humana. Não dá para descer esse rio sem rumo. Ou até dá mas não recomendo.
O que teremos pela frente será acima de tudo humilhante. E a humilhação leva ao desespero, nosso maior inimigo. Portanto, temos que lutar primeiro pela manutenção da nossa sanidade individual.
É por isso, entre outras coisas, que tenho recomendado que procurem afazeres distintos do acompanhamento inútil do teatro ignóbil que ocorre em Brasília, o maior lixão humano a céu aberto no planeta, hoje. Acompanhar aquilo com esperanca é abrir as portas à estupidez e ainda servir cafezinho.
Isso não significa, claro, abandonar a política. Pelo contrário, significa se tornar efetivo na política. Anarquistas lêem o início desse texto e já gritam pelo voto nulo ou pela abstenção. Isso é uma tolice fútil na qual jamais embarcarei. Se a bandidagem já consegue meter um bandido na presidência triplicando seus votos, deixar de votar só fará seu trabalho mais fácil. Mais nada, rigorosamente. Portanto, votemos.
A forma de dedicarmos esforço produtivo nessa história depende de entendermos o espectro temporal dessas ações. Nada se resolverá em dois anos, ou cinco. Se quer solução mágica vá abraçar um pelicano ou entre na igreja do barril mágico ou algo assim. Ao menos os donos usarão seu dinheiro para algo prazeroso.
Uma vez sabendo que do Estábulo Nacional não sairá nada de bom que dure, o que nos resta é a associação civil, o refinamento de cultura e a ampliação da nossa capacidade imaginativa e lógica. E tudo isso está nas nossas mãos.
Para fazer isso temos que acordar todos os dias dispostos ao sacrifício, com o intuito persistente de amar a nós mesmos, as nossas famílias, o nosso país e acima de tudo a Deus.
Esse sacrifício incluirá sofrer a ação odiosa desse estado asqueroso que temos, controlado pela imbecil oligarquia demoníaca que comanda o país. Teremos mais perseguições, mais mortes e mais injustiças. Haja fortaleza para aguentar o que virá e o que já veio. Para isso é preciso cultivar essa capacidade de amar, podem crer.
Com esse espírito poderemos oferecer suporte aos nossos membros do jogo político na proporção adequada, sem colocar ninguém em pedestais, e dedicar a maior parte do nosso tempo às ações locais, que podem ser realmente efetivas.
Essas são minhas sinceras recomendações. Lamento não alimentar falsas esperanças em soluções mágicas mas não sou um charlatão. Quem leu isso tudo e entendeu desistência é porque está buscando essa solução mágica. Se insistir será vítima de pilantras, só isso. Não recomendo.
Os tempos são duros e ficarão piores. Pode mesmo ser que estejamos no início dos tempos descritos no livro das Revelações de São João. Mais um motivo para sermos nossa melhor versão e colocarmos nossa fé em Deus e nos esforçarmos.
O Bem vencerá tão mais rápido quanto mais eficientes seus agentes se tornarem. O que importa, sempre, é a luta. Ela é o meio de melhorar e a única forma de vencer.
Deus os abençoe e guarde.