Trecho do artigo de Olavo de Carvalho publicado no Diário do Comercio em 26 de setembro de 2005 e reproduzido no livro do mesmo autor, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.
Compilado por Mané, o perdedor....
Eu deveria estar grato ao sr. Presidente de República. Quando praticamente a mídia nacional inteira se empenha em camuflar as atividades ou até negar a existência do Foro de São Paulo, tachando de louco ou fanático aquele que as denuncia, vem o fundador mesmo da entidade e dá todo o serviço, comprovando de boca própria as suspeitas mais deprimentes e algumas ainda piores que elas.
O discurso presidencial de 2 de julho de 2005, pronunciado na celebração dos 15 anos de existência do Foro e reproduzido no site oficial do governo, é a confissão explicita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime infinitamente mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo, crime que, por si só, justificaria não só o impeachment como também a prisão de seu autor.
À distância em que estou só agora tomei ciência integral desse documento singular, mas os chefes de redação dos grandes jornais e de todos os noticiários de rádio e TV do Brasil estiveram aí o tempo todo. Tendo sabido do discurso desde a data em que foi pronunciado, ainda assim continuaram em silêncio, provando que sua persistente ocultação dos fatos não foi fruto da distração ou da pura incompetência; foi cumplicidade consciente, maquiavélica, com um crime do qual esperavam obter não se sabe qual proveito.
O sentido destes parágrafos, uma vez desenterrado do lixo verbal que lhe serve de embalagem, é de uma nitidez contundente.
Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990 ... Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chaves, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranquila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação politica de companheiros. Não era uma ação politica de um Estado com outro Estado, ou presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chaves participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chaves como presidente da Venezuela.
Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência politica.
O que o sr. Presidente admite nesse trecho é que:
- 1) O Foro de São Paulo é uma entidade secreta ou pelo menos camuflada (“construída ... para que pudéssemos conversar sem pelo menos parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política”).
- 2) Essa entidade se imiscui ativamente na política interna de várias nações latino-americanas, tomando decisões e determinando o rumo dos acontecimentos, à margem de toda fiscalização de governos, parlamentos, justiça e opinião pública. ....
- 3) .........
- 4) .........
- 5) A orientação quanto a pontos vitais da politica externa brasileira foi decidida pelo sr. Lula não como presidente da Republica em reunião com seu ministério, mas como participante e orientador de reuniões clandestinas com agentes políticos estrangeiros (“foi uma ação politica de companheiros, não uma ação politica de um Estado, ou um presidente com outro presidente”)........................................
Acima de seus deveres de presidente ele colocou sua lealdade aos “companheiros”.