Sendo este o segundo versículo pelo qual espaço, palavra e opinador se plasmam e se movimentam num plano hierático, místico e cognitivamente alquímico, e cuja incumbência é a de versar sobre cultura, nada como começar por definir tamanho e vasto domínio.
De entre profusos, abrangentes e vastos significados de “cultura” escolhemos o composto seguinte:
“... Cabedal de conhecimentos de uma pessoa ou grupo social; Conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, etc..., que distinguem determinada pessoa e/ou grupo social; Forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais e espirituais duma civilização, lugar e / ou período específico; Complexo de atividades, instituições e padrões sociais ligados à criação e difusão das belas artes, criações artistico-literárias, ciências humanas e afins...”.
Fica fácil, pois, perceber o que não é “cultura”, ou melhor, o que será o seu “negativo”, quem é desprovido dela ou se situa nas antípodas de tal influência, beneplácito, posse e auspícios.
A criatura inculta caracteriza-se pela sofrida ausência dela (pelas mais variadas circunstâncias que não importam aqui escalpelizar). A culta, por seu turno, com mais ou menos substrato e arcabouço, possui-a e é munido dela, mas, e este sim é o busílis, o escopo e o ponto nevrálgico que desejamos “cutucar”, a mor das vezes, com uma holística e integral consciência, sabedoria, clarividência e / ou espiritualidade errática, manca, frágil, parcial e segmentada. Tais citadas qualidades, salvo melhor opinião, definem e são apanágio dos estágios mais pinaculares, alcantis, intangíveis e prodigiosos daquilo que, costumeiramente, se define como “alta-cultura”. São, por isso, e em hermética sinergia, o “divisor d’águas”.
Sem embargo, a amplitude e a envergadura do tema em pauta assim se esboça: das mais pantanosas, fétidas e vacuosas mentes que banham tudo o que é lugar e humana sociedade – a própria definição de miserabilidade e animalidade –, passando pelo vasto espectro de “diplomados & especialistas” que se consideram cultos só por assim o serem, às mais puras, cristalinas, inodoras e impolutas sapiências – oásis paradisíacos e atóis beatíficos que hospedam as experiências existenciais mais cimeiras, sublimes e raríssimas de consciência, erudição, contemplação e epifania.
Só esta última, a tal da alta-cultura, faz e fará a diferença.
Só ela redime e livrará quer estejamos a falar dum só indivíduo, quer estejamos a falar da coletividade como um todo.
O mais exasperante de observar – fato diuturno, fatídico e danado – é que alcançá-la exige do próprio um esforço e um querer ciclópico, uma hercúlea abnegação e intrepidez para desconstruir quiméricas convicções e incrustados credos (fundamentalmente) e uma personalidade e coragem inabaláveis que nada tem que ver com boas & estruturadas famílias, graduações acadêmicas – quaisquer que elas sejam –, viés ideológico (se bem que irredutíveis e irracionais posicionamentos “à esquerda” estarão, irreversivelmente, arredados do alcançar), Q.I. (pois que com este, de todo, não se relaciona), especialidade profissional, cargos de alta complexidade e / ou responsabilidade...
Por ora me quedarei. Em vindouras postagens tentarei, assim a inspiração não me falte ou abandone, destrinchar todas estas vicissitudes e nuances, ser mais específico e servir de guia a todo aquele que desejar seguir-me nesta tenebrosa toca do coelho em que nos enredaram.
Eco
Fonte/Créditos: Lucidez própria.