-As pessoas têm uma seríssima dificuldade de compreender que determinar um fato não significa fazer um juízo especifico de valor. Ták todo mundo esquizofrênico.
-O sr tá falando por si, né?
-Não, estou falando de todos que não conseguem compreender que uma análise de fatos envolvendo pessoas não significa tomar partido pro bem ou pro mal daqueles que estão sendo analisados.
Essa foi o meu colóquio, após um comentário no twitter, com uma pessoa que pareceu não compreender uma análise de fatos e logo tratou de acusar o autor de julgar a pessoa do Presidente Bolsonaro. E de me acusar da esquizofrenia que ela porta.
Infelizmente isso vem sendo recorrente desde o início do governo e até mesmo incentivado por alguns tantos espertos para que a maioria se comporte assim e não perceba que está sendo usada, manipulada, para outros interesses.
Perdem-se oportunidades de compreensão às mensagens, atacando os mensageiros e confundindo o teor daquilo que é dito. Até o Olavo foi vítima disso quando alertava para tudo que acabou acontecendo.
Mas isso tem método e os motivos são conhecidos. Poder e controle: aqueles que não detém o poder de mobilização do povo, buscam controlar quem o tem, a partir daí controlando essa mobilização e direcionando para seus interesses.
Método mais esquerdista, impossível. Para isso, se valem do culto ao líder, idolatria, denuncismo, acusações e perseguições a quem questiona qualquer coisa e por aí vai. Ou se é mais realista que o rei, ou se é um infiltrado, traidor, etc.
Trocando em miúdos, usam do amor do povo ao Bolsonaro, potencializam isso a um nível que beira o irracional, para incentivar, no momento seguinte em efeito manada, a perseguição a qualquer um que de bom coração conteste algo ou que analise algo.
E quem faz isso? Aqueles que se apoderaram dos poderes do Presidente Bolsonaro com o povo, obrigando-o a se submeter a um monte de coisas que lá no fim se refletiram em controle e um inevitável desgaste ao longo do tempo com seu eleitorado.
Tem algo mais desgastante do que forçá-lo a um acordo com a velha política? Isso é o controle total e absoluto dos seus atos.
Eis aí a diferença do Jair de 2018 para o de agora e o vácuo citado no primeiro texto que deu origem a essa coluna.
Sob os argumentos de que é necessário para sobreviver ou que o sistema só lhe deu essa opção, o que vemos, ao fim e ao cabo, é o desgaste com o eleitorado e a transformação de uma proposta vencedora em algo que virou mais do mesmo da política nacional, alimentando uma esperança messiânica no eleitorado que ainda resiste e uma desilusão sem fim em outra parte de um eleitorado que já não existe mais.
Se não há compreensão do cenário macro e se não há gritaria pelo que está errado dentro desse cenário por aqueles que verdadeiramente apoiam e admiram o Presidente Bolsonaro, cada vez vão exigir mais absurdos do hoje inelegível e condenado Bolsonaro.
Essa engenharia toda, formada por pessoas próximas desde o início de seu governo e por inimigos, algozes políticos em um não planejado, mas efetivo consórcio tácito, se vale daqueles que não conseguem compreender o mapa dos acontecimentos, misturando essa detecção com a avaliação do caráter do Presidente. Estimulam então a esquizofrenia coletiva. E é isso o que permite esse controle.
O próprio Presidente já deu sinais de que o povo precisa fazer por si só. O próprio Presidente já foi além, logo após o 07/09 de 2021, dizendo que cada um devia lutar pelo futuro e não seguir cegamente o que ele dizia. Praticamente disse ao povo, estão me usando para impor coisas. Mas, é claro, não deixaram essa mensagem ganhar corpo.
Para quem duvida, está aí o vídeo:
Nesse processo de amadurecimento, temos muito a caminhar.
Eis o post do Cristiano Xavier e sua análise sobre o que acontece nessas eleições.
Um Jair Que Já Foi Pablo Ou Um Marçal Que Vem Sendo Bolsonaro
— Cristiano Xavier (@Cvyrtlick) August 25, 2024
A Flavia Ferronato ficou chocada (junto com os ZV e demais bolsonaristas com antolhos) com o crescimento do Pablo Marçal depois da absurda censura do TSE, porque esqueceram da fórmula que fez genuinamente o próprio… pic.twitter.com/oReS4x6TPP