Deboche
de·bo·che
substantivo masculino
1 Depravação dos costumes; devassidão, libertinagem.
2 Zombaria explícita e refinada; caçoada.
3 Desprezo que denota escárnio e ironia.
Desse modo que o dicionário MICHAELIS define a palavra deboche. E as sete definições acima se encaixam perfeitamente para as eleições de 2024.
Mais um retrato do abismo que parece não ter fim no qual o país foi jogado desde o período da redemocratização na segunda metade do século passado. Cada vez mais pobre intelectual, financeira e moralmente, o Brasil, ou grande parte da população se revela completamente alienada aos verdadeiros resultados efetivos dessas eleições.
A engenharia social, os métodos psicológicos de manipulação através do discurso, cada vez são mais eficientes. E aquilo que saltaria aos olhos de quem fizesse o óbvio, o prestar atenção por um minuto nos fatos frios, nos dados disponíveis, acessíveis, raciocinar sobre isso tudo, cada vez mais vem se tornando uma tarefa exclusiva para poucos que resistem e não se permitem influenciar pelo que escutam, mas ainda são fiéis ao que se vê.
Se a perspectiva vendida por parte da direita é do esmagamento da esquerda radical e de uma vitória "da direita", de Bolsonaro e sua estratégia (seja lá qual ela tenha sido feita e se ela realmente existiu), vale lembrar aqui um conceito sobre a palavra perspectiva: técnica de representação tridimensional que possibilita a ilusão de espessura e profundidade das figuras.*
Portanto, é um deboche sem fim dizer que a direita voltou ou ganhou essa eleição. É uma manipulação para representar, através de uma ilusão de ótica, partindo do tamanho e da relevância da figura usada para isso (Bolsonaro). O que tivemos, na verdade, foi a velha política fisiológica ganhando ainda mais espaço e se valendo da direita, quase sempre, para isso.
A insanidade mental promovida pela excitação gerada nos indivíduos que não notam estarem sendo divididos para serem governados, por parte dessa engenharia, teve tanto êxito que problemas discutidos nas eleições passadas simplesmente sumiram ou serviram de muletas, quase beirando o ridículo, usando como desculpas para quem não conseguiu entender o cenário estabelecido. Por exemplo, praticamente não se discutiu a veracidade ou não dos números na votação apertada em São Paulo. Os debates acalorados, assim como a vibração pela vitória ou o lamento dos derrotados se dão sem questionamento algum sobre os resultados finais. Por outro lado, se atribui ao modo de votação, para alguns, a justificativa para o fraco desempenho de Alexandre Ramagem e a vitória esmagadora de Eduardo Paes, no Rio.
Cada vez mais acostumado com um sistema eleitoral esquizofrênico, com uma devassidão gigantesca com o dinheiro público, com total desprezo pela vontade popular, ironizando aqueles que se colocam como questionadores de algum dos tantos absurdos que vemos no geral desse espetáculo dantesco, nem o fato de os principais vencedores serem os seguintes partidos: 1-PSD, 2-MDB, 3-PP, 4-União, 5-PL, 6-Republicanos, onde todos, inclusive o PL, ainda que em menor grau, são os partidos que sustentam o atual governo federal e toda desordem constitucional no país, faz com que as pessoas percebam que estamos de volta para 2015, 2016.
Para finalizar o deboche que foi essa eleição em 24, muitos daqueles que gozavam de respeito, carinho e nutriam esperança junto a uma parcela da sociedade, jogaram na lama seus capitais não só por defender seus posicionamentos, mas ainda pior, por atacar quem questionava ou ousava não se comportar bovinamente diante de manipulação grosseira e grotesca.
O ano de 2026 pode marcar a volta a uma etapa iniciada em 2026, que falhou em 2018, mas que parece ter começado a esse longo processo de retorno em 2020. O tempo dirá se 2024 deu a resposta necessária para quem vem controlando os nossos destinos.
Como no filme De volta para o futuro, esse regresso ao status quo de 2016 nos levará direto para 2030.