O momento brasileiro é assustador porque é o resultado de vários anos de esquerdismo no Brasil.
Não falo do óbvio: daqueles que, neste momento, assumiram o protagonismo com medidas ditatoriais e que, finalmente, revelam ao mundo, dia após dia, o que realmente somos como Estado e o projeto que essa turma defende.
O que assusta é a falência total de um povo. O distanciamento completo de suas origens e de suas características marcantes.
O povo amável, respeitoso, caridoso, simpático e empático de que tanto se fala. Cadê esse povo?
Décadas de estímulo à divisão, ao ódio, ao sectarismo e a pautas lacradoras e woke, ao que parece, foram bem-sucedidas.
Entende-se quando vemos alguém de esquerda nessa onda, nessa vibe… Mas e o restante da população?
Eu já respondo: pelo visto, segue o mesmo caminho.
Quem não se revolta com as injustiças cometidas contra velhinhos e velhinhas — ou mesmo contra novinhos e novinhas — presos por portar bíblias, bola de gude e sob acusação de golpe de Estado, para usar um jargão que virou meme, mas que, neste caso, é preciso, já morreu por dentro.
A esmagadora maioria da direita brasileira nas redes, dizendo “bem feito” para Casemiro Miguel por ele ter feito o L e agora estar sofrendo uma das perseguições mais descabidas e abusivas do Brasil, está no mesmo barco da turma da esquerda que vibra com a perseguição aos “golpistas”.
Isso só revela como a moral e a mensagem cristã não são compreendidas por uma larga parcela da população que arrota, dia sim e dia também, esses valores como norte de sua bússola moral.
Mas, além da questão filosófica, moral e até religiosa, perdemos a pura e simples capacidade de raciocinar e enxergar o óbvio: a perseguição promovida pelo Estado.
Em tempo, Olavo até perdoava o comunismo, o esquerdismo etc. Dizia que o problema do Brasil era a burrice.
Existe uma gigantesca diferença entre dizer um “bem feito” quando um artista “mortadela-Rouanet” é vaiado em um show, perde um patrocínio ou até mesmo uma boquinha no Estado, e dizer o mesmo no caso da CazeTV.
O caso da LiveMode/CazeTV é extremamente diferente. É o Estado de exceção em estado puro, permitam-me o trocadilho. Estado, Estado e Estado, utilizando todas as suas ferramentas e práticas para preservar o bem-estar de quem domina o próprio Estado.
E, antes que algum retardado venha questionar a gravidade de uma situação em relação à outra, faço uma pergunta simples: tudo o que foi feito na Alemanha nazista não foi absurdo, cruel e ultrajante?
Pois é. Pouco importa, em casos específicos, o que fizeram naquele período. Tudo o que foi feito foi criminoso, persecutório, abusivo, hediondo e prejudicial ao povo alemão, ainda que estivesse de acordo com as regras e normas legais do Estado então estabelecido.
Portanto, dá-me nojo ver quem se diz de direita, conservador e cristão vibrar com a perseguição promovida pelo Estado, ainda que seja com um mero “bem feito”.
É uma ode ao conceito de idiota útil.
Quer seja contra presos políticos, quer seja contra a iniciativa privada que afronta os interesses dos “campeões nacionais”, amigos do poder, o Estado perseguidor representa o suprassumo daquilo que há de pior e do que é mais contrário àquilo que dizemos defender.
Pouco importa se ali há alguém de esquerda, de centro ou de direita. Se o cidadão não consegue compreender esse mínimo, ele não defende nada do que diz defender. É tão somente um hipócrita.
Sempre gosto de lembrar deste poema. Não há motivos para rir ou dizer “bem feito”.
“Primeiro eles vieram…”
Martin Niemöller
Primeiro eles vieram buscar os comunistas,
e eu não falei nada —
porque eu não era comunista.
Depois eles vieram buscar os sindicalistas,
e eu não falei nada —
porque eu não era sindicalista.
Depois eles vieram buscar os judeus,
e eu não falei nada —
porque eu não era judeu.
Então eles vieram me buscar —
e não havia mais ninguém
para falar por mim.
Já levaram muita gente da direita. Agora estão levando alguns da esquerda. Se continuarmos indiferentes porque a vítima é “do outro lado”, permaneceremos divididos. E, se unidos já é difícil resistir ao arbítrio, divididos será praticamente impossível.
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