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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
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Vilã ou aliada? Cientistas descobrem a complexa relação entre a cafeína e os sintomas de depressão

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Vilã ou aliada? Cientistas descobrem a complexa relação entre a cafeína e os sintomas de depressão
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Uma nova pesquisa apresentada no encontro anual da Associação Psiquiátrica Americana (APA), em São Francisco, analisou a relação entre o consumo de cafeína e a saúde mental. O estudo, chamado SHADES (Sleep and Healthy Activity, Diet, Environment and Socialization), envolveu 1.007 adultos com idades entre 22 e 60 anos.

A principal descoberta

Os resultados mostraram que um maior consumo de cafeína está associado a uma maior severidade dos sintomas de depressão. Participantes que consumiam de três a quatro porções de cafeína por dia apresentaram escores mais altos na escala de depressão PHQ-9.

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Mas não é tão simples

Ao mesmo tempo, a pesquisa apontou um efeito contraditório: o consumo de cafeína pareceu diminuir a forte relação existente entre a depressão e problemas severos de insônia e estresse.

O que isso significa?

Os pesquisadores sugerem que pessoas podem estar usando a cafeína como uma forma de “automedicação” para combater sintomas depressivos, como baixa energia e falta de disposição.

“Meu objetivo foi observar, em um nível biopsicossocial, como a cafeína afeta todas essas questões”, disse Mira Kaur Marwah, estudante de medicina da Universidade do Arizona e autora principal do estudo, ao Medscape.

Os números

A análise revelou que, entre participantes com insônia severa, a associação com escores mais altos de depressão era mais forte entre aqueles que não consumiam cafeína. Entre os que consumiam de uma a sete ou mais porções diárias, a relação, embora ainda presente, era mais fraca.

Cuidados e limitações

Especialistas ouvidos pela reportagem fazem ressalvas. O psiquiatra Gregory Scott Brown, da Universidade do Houston, elogiou a iniciativa, mas classificou o tema como uma “questão complexa”. Ele apontou que o estudo não padronizou o tamanho das porções de cafeína, não diferenciou o café puro do café com açúcar e não separou consumidores habituais de novos usuários. “Isso abre uma caixa de Pandora de perguntas que precisamos investigar”, afirmou Brown.

Na prática clínica

Apesar das limitações, os especialistas recomendam que os médicos passem a perguntar rotineiramente aos pacientes sobre seu consumo de cafeína, um hábito muitas vezes negligenciado nas consultas. No entanto, eles fazem um alerta: “A cafeína tem efeitos diferentes em pessoas diferentes, e é importante não generalizar com base em um estudo que apenas olha para a superfície de um tópico muito complexo”.

Fonte/Créditos: Gazeta Brasil

Créditos (Imagem de capa): Café solúvel com grãos de café sobre mesa. Foto: HannaBg - stock.adobe.com

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