O CEO do TikTok, Shou Chew, disse aos funcionários que a empresa-mãe do aplicativo de mídia social, a chinesa ByteDance, assinou acordos vinculantes para criar uma joint venture nos EUA com maioria de investidores americanos no controle de sua operação americana.
Em um memorando interno visto pela agência Bloomberg, Chew disse que estava “satisfeito em compartilhar uma ótima notícia” e afirmou que acordos com Oracle, Silver Lake e MGX foram assinados.
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Enquanto isso, “as entidades do TikTok global que continuarão a atuar nos EUA gerenciarão a interoperabilidade global do produto e certas atividades comerciais, incluindo comércio eletrônico, publicidade e marketing”, escreveu.
Suspeita geopolítica
O TikTok é alvo de suspeições de autoridades americanas desde o primeiro governo de Donald Trump (2017-2020), o que se manteve na gestão do democrata Joe Biden (2021-2024), quando uma lei foi aprovada obrigando a venda do controle da operação da rede social nos EUA, sob pena de banimento. A medida foi referendada pela Suprema Corte do país.
O principal motivo de desconfiança é a suspeita de que a chinesa Byte Dance possa alimentar o governo da China com informações de cidadãos americanos, o que a empresa refuta.
De volta à Casa Branca, Trump adotou tom mais moderado, buscando arquitetar um acordo com a gigante chinesa Byte Dance para atrair big tech americanas para o controle do aplicativo americano do TikTok. Essas conversas se arrastam desde o início de seu governo, em janeiro deste ano.
Em setembro, parlamentares americanos que pressionaram pelo banimento do TikTok dos Estados Unidos expressaram dúvidas sobre a capacidade de o governo de Trump chegar um acordo para que investidores externos adquiram metade das operações da empresa chinesa nos EUA.
Naquele mês, EUA e China avançaram em um acordo para manter o aplicativo TikTok operando em território americano. O acerto foi feito durante o segundo dia de encontro entre representantes de Washington e Pequim, que estiveram reunidos em Madri para debater a guerra tarifária entre os dois países.
As partes chegaram a um "marco básico de consenso" sobre o TikTok durante negociações em Madri, conforme informou a mídia estatal chinesa, após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciar um acordo para transferir o controle da plataforma para investidores americanos.
Entenda o imbróglio
O TikTok — que se tornou uma das redes sociais mais populares entre jovens nos EUA, desafiando os apps de big techs americanas, como Facebook e Instagram, da Meta — é propriedade da empresa chinesa de internet ByteDance.
Ainda no governo de Joe Biden, os EUA deram um ultimato a ByteDance, dona do TikTok, para se retirar dos EUA ou vender o controle de seu braço no país para uma companhia não chinesa.
A preocupação de Washington era que os dados de cidadãos americanos coletados pelo aplicativo pudessem ser compartilhados com o governo chinês, o que violaria a lei de segurança nacional. Por isso, uma lei federal exigia a venda ou a proibição da rede social.
Ela deveria entrar em vigor um dia antes da posse de Trump, em 20 de janeiro. Mas o prazo para um acordo sobre a situação do app chinês foi renovado várias vezes.
Em junho, Trump chegou a afirmar, em entrevista à Fox, ter identificado um comprador para as operações do TikTok nos Estados Unidos, sem fornecer detalhes. Ele chegou a discutir o assunto com o presidente da China, Xi Jinping.
Créditos (Imagem de capa): TikTok: aplicativo de origem chinesa é alvo da Casa Branca — Foto: Bloomberg
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