O site Defesa Net, especializado em assuntos militares, trouxe nesta terça-feira (26) uma reportagem afirmando que, nos bastidores do Itamaraty, circulou a chamada Operação Imeri. A denominação, inspirada na serra que separa Brasil e Venezuela, tinha como objetivo resgatar o ditador venezuelano Nicolás Maduro.
A operação teria sido concebida em reação ao cerco dos Estados Unidos contra o narcoterrorismo na América Latina. Em agosto de 2025, o presidente Donald Trump enviou três destróieres e cerca de 4 mil militares ao Caribe, com foco no combate ao Cartel de los Soles. Maduro foi classificado por Washington como narcoterrorista, com recompensa de 50 milhões de dólares por sua captura, devido às ligações com o cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua.
O cerco norte-americano provocou reações imediatas em Caracas. Maduro mobilizou milicianos, acionou sistemas de defesa aérea e ordenou planos de contingência às Forças Armadas Venezuelanas. O ministro do Interior, Remigio Ceballos Ichaso, reforçou o discurso de resistência contra o “imperialismo”.
Segundo a reportagem, a Operação Imeri previa a evacuação seletiva de Maduro e de membros de sua cúpula. As discussões teriam ocorrido entre o chanceler Mauro Vieira e o venezuelano Yván Gil, em Bogotá, durante a cúpula da OTCA/CELAC, oficialmente dedicada a temas de cooperação fronteiriça e integração econômica.
O plano tinha duas vertentes principais:
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Marítima: mobilização de doze meios navais da Marinha do Brasil, incluindo o Porta-Helicópteros Atlântico, fragatas classe Niterói e o navio-doca Bahia. Tropas de Operações Especiais, como o BtlOpEspFuzNav e o GruMeC, seriam usadas para criar um corredor de evacuação. Oficialmente, a operação seria apresentada como “treinamento e presença dissuasória”, contornando a necessidade de autorização legislativa.
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Aérea: infiltração de um KC-390 Millennium da FAB, com destacamento combinado de Operações Especiais do Exército, Marinha e Força Aérea. O pouso em pista selecionada permitiria a extração rápida de Maduro e seus colaboradores, com retorno a Boa Vista ou Manaus. A operação seria disfarçada como “cooperação humanitária”.
O serviço de inteligência dos EUA e o USSOUTHCOM monitoraram os planos brasileiros. A Marinha, porém, se posicionou contrária à participação, revelando divisões internas nas Forças Armadas. Washington também deixou claro que qualquer tentativa de resgate acarretaria novas sanções econômicas e diplomáticas.
Ainda de acordo com a apuração, movimentações recentes apontam sinais de preparação logística: voos de treinamento em Anápolis e Campo Grande, deslocamento de blindados para Boa Vista e reforço em Pacaraima.
A Operação Imeri, mesmo mascarada como ação humanitária, tinha como meta proteger Maduro e seus principais aliados do cerco internacional.