Após aprovação da convocação de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aberta para investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), parlamentares do colegiado protocolaram uma série de requerimentos que podem jogar luz sobre os negócios obscuros do lobista.
A coluna apurou que entrou na mira da CPMI os destinos das viagens internacionais realizadas por Antonio Antunes nos últimos cinco anos. O colegiado também quer a quebra do sigilo fiscal e bancário de uma das suas empresas de locação de carros de luxo, a DRPL Comercialização e Locação de Veículos S.A.
Integrantes da CPI apresentaram ainda requerimento solicitando à PF a lista completa dos carros ligados ao lobista e às empresas dele, bem como a tabela de todos os veículos de Antonio Antunes apreendidos pela corporação.
Ainda na semana passada, quando a CPMI tinha mal começado, parlamentares já tinham apresentado requerimentos de informações pedindo quebra de sigilo; relatórios do Coaf; registros de entradas dele em ministérios e no INSS; além do número de vezes que Antonio Antunes ingressou no Congresso Nacional. Sócios dele, o que inclui o filho do lobista, Romeu Antunes, também são alvos de convocação.
Antonio Antunes é apontado pela Polícia Federal como o operador do esquema que fraudava descontos indevidos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.
O lobista mantinha procurações de associações investigadas e está sob suspeita de pagar propina a ex-diretores e ao ex-procurador-geral do INSS. Sua atuação foi revelada pelo Metrópoles na série de reportagens “Farra do INSS”.
Ele não chegou a ser preso, sendo apenas alvo de busca e apreensão. O lobista ostenta uma vida de luxo, com carrões, viagens internacionais e até mesmo imóveis no exterior.
Ao todo, o Careca do INSS foi alvo de 15 requerimentos de convocação aprovados nessa terça-feira (26/8). Na prática, esse instrumento, diferentemente de um convite, obriga a pessoa a prestar esclarecimentos diante do colegiado.
A CPMI é presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG). O relator é o deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Ambos os parlamentares ditam os ritmos das reuniões. Gaspar e Viana afirmaram em coletiva de imprensa que ainda não existe uma data para a convocação de Antonio Antunes. Ainda assim, frisaram que até lá o colegiado vai reunir o maior número possível de informações sobre o empresário.
“Nós queremos ouvi-lo separadamente, num dia em que vamos organizar todo o trabalho. Ele é peça fundamental nessa investigação e tem muito a nos dizer”, declarou Carlos Viana.
Já o advogado de Antonio Antunes adiantou, à coluna Andreza Matais, do Metrópoles, que o empresário pedirá habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Naturalmente eu terei que fazer o óbvio, porque num país como o nosso, como diria Olavo de Carvalho, você tem que desenhar a explicação e depois explicar o desenho. Vou ter que fazer um habeas corpus no STF para ele ter o direito de ficar calado na CPMI”, disse Cleber Lopes.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): reprodução