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Segunda-feira, 20 de Abril 2026
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Saiba como os astronautas da missão Artemis II farão suas necessidades no espaço

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Saiba como os astronautas da missão Artemis II farão suas necessidades no espaço
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O lançamento da missão Artemis II a partir do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, marcou um hito histórico que vai muito além da propulsão de foguetes e cálculos orbitais. Para os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, a jornada de dez dias rumo à Lua traz uma inovação tecnológica aguardada há décadas: a instalação de um sistema sanitário permanente e privativo, projetado para oferecer dignidade e higiene além da órbita terrestre.

Diferente das cápsulas do programa Apolo ou até das soluções parciais das missões anteriores, a Orion foi equipada com o Sistema Universal de Gestão de Resíduos (UWMS). Este módulo de higiene, construído em titânio e utilizando tecnologia de impressão 3D, representa o ápice de décadas de aprendizado sobre como manter seres humanos saudáveis e confortáveis em ambientes de confinamento extremo.

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O fim do “pesadelo” da Era Apolo

Para entender o salto tecnológico, é preciso olhar para o passado. Nos anos 60 e 70, as cápsulas Apolo careciam de qualquer espaço privado para necessidades básicas. A gestão de resíduos era o que a própria NASA classificou em relatórios técnicos como “objetável” e “desagradável”. Sem banheiros, os tripulantes utilizavam sacos plásticos aderidos ao corpo e tubos de sucção rudimentares.

Os incidentes eram frequentes e desmoralizantes. Durante a missão Apolo 10, a tripulação reportou excrementos flutuando livremente pela cabine. Na Apolo 8 e 16, astronautas tiveram que “caçar” manchas de vômito e fezes no ar. O astronauta Ken Mattingly chegou a afirmar que não teria interesse em uma missão a Marte se o sistema de higiene não evoluísse. O legado dessa era ainda permanece no solo lunar: as seis missões que pousaram no satélite deixaram para trás 96 bolsas contendo urina, fezes e vômito.

Engenharia de precisão para necessidades básicas

O desenvolvimento do novo UWMS levou mais de uma década e foi coordenado pela empresa Collins Aerospace. A estrutura é leve, modular e foi desenhada para ser inclusiva, atendendo tanto à anatomia masculina quanto à feminina — uma evolução em relação aos sistemas da Estação Espacial Internacional (EEI), que tinham limitações para mulheres e ofereciam apenas privacidade parcial com cortinas.

O funcionamento em microgravidade é um desafio de física:

  • Privacidade e Conforto: O banheiro possui uma porta sólida e dimensões similares às de um toalete de avião comercial. O astronauta canadense Jeremy Hansen destacou o valor psicológico: “É o único lugar onde podemos nos sentir sozinhos por um momento”.

  • Mecânica de Fluidos: Para urinar, cada tripulante utiliza um funil pessoal conectado a um ventilador que gera vácuo, direcionando o líquido para um depósito. Posteriormente, a urina é expelida no espaço, onde se evapora.

  • Gestão de Sólidos: Os astronautas utilizam apoios para os pés para se manterem posicionados enquanto o sistema de sucção transporta os resíduos para contêineres especiais. Diferente da urina, as fezes são armazenadas em compartimentos com filtros e retornam à Terra dentro da cápsula para análise e descarte.

  • Desafios em tempo real: O conserto em órbita

    Apesar da sofisticação, a missão Artemis II já enfrentou seu primeiro teste de “manutenção doméstica”. Apenas algumas horas após o lançamento, um alarme indicou que o ventilador do sistema havia travado, deixando a função urinária fora de serviço.

    A tripulação precisou improvisar com sacos de emergência e urinários dobráveis enquanto engenheiros em Houston elaboravam um guia de reparos. Sob a orientação do centro de controle, os astronautas acessaram a área do ventilador e removeram a obstrução. A confirmação do sucesso veio via rádio: “Me complace informar que o banheiro já está pronto para o uso”, anunciou a equipe de terra, reforçando que, no espaço, até um problema hidráulico pode colocar em risco o sucesso de uma missão multibilionária.

    Um passo essencial para Marte

    A cápsula Orion, batizada de “Integridade”, serve como o laboratório final para as tecnologias que levarão o homem a Marte. A astronauta Christina Koch destacou que, embora o sistema seja barulhento devido à proximidade com os motores operacionais, ele é vital para a moral do grupo.

    Para Melissa McKinley, chefe de projeto do UWMS na NASA, o sucesso deste sistema é a base para a futura campanha lunar. “Sabremos muito mais quando esta missão retornar”, afirmou. O episódio recente em 2021, onde uma tripulação da Crew Dragon precisou retornar à Terra usando fraldas devido a uma pane no banheiro, serviu como lembrete de que a exploração do espaço profundo exige soluções práticas e robustas para a vida cotidiana.

Fonte/Créditos: Gazeta Brasil

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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