Mesmo após se tornar alvo de sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes segue cercado por uma sólida rede de aliados no Brasil. As conexões políticas garantem espaço de influência nos Poderes e dificultam movimentações de adversários, como os pedidos de impeachment apresentados no Senado, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
Apoio no Congresso
No Legislativo, Moraes consolidou parcerias estratégicas com os senadores Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que atuaram como barreira contra pressões de setores bolsonaristas para afastá-lo. Encontros reservados, jantares e homenagens institucionais ajudaram a fortalecer esses laços.
O ministro também mantém diálogo com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e com o ex-presidente da Casa Rodrigo Maia, apesar de momentos de tensão, como no caso da prisão do ex-deputado Chiquinho Brazão, acusado de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
Relações com o Executivo
No Executivo, Moraes aproximou-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio às negociações para nomeações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após as sanções de Trump, Lula chegou a promover um jantar em homenagem ao ministro.
O vínculo mais antigo, porém, é com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que lançou Moraes na política em 2002, ao nomeá-lo secretário da Justiça em São Paulo.
Articulações partidárias
Moraes também cultivou apoio entre líderes de diferentes partidos. Paulinho da Força (Solidariedade), por exemplo, foi beneficiado por decisão do STF que anulou sua condenação. Outro aliado, Gustavo Rocha — ex-ministro de Michel Temer e atual secretário do Distrito Federal — contou com sua articulação em momentos-chave.
Indicado ao STF justamente por Temer, o ministro manteve relações que remontam ao período em que ocupava a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Pontes com a direita
Embora seja alvo frequente de críticas do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes ainda preserva interlocução com figuras do campo bolsonarista. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já recorreu ao ministro para tratar de nomeações no Ministério Público paulista.
Outro exemplo é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, que resistiu a apoiar pedidos de impeachment contra Moraes e atuou como mediador em tentativas de aproximação entre o magistrado e o ex-presidente.
Da política partidária ao protagonismo no STF
Ex-filiado a partidos como PSDB, PFL (atual União Brasil) e MDB, Moraes mantém vínculos herdados da trajetória no tucanato, incluindo nomes como os deputados Carlos Sampaio e Paulo Alexandre Barbosa.
Hoje, ocupa posição central no Judiciário, sendo relator dos processos relativos aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A atuação reforça seu papel como uma das figuras mais influentes da República, sustentado por uma teia de alianças que atravessa diferentes campos da política brasileira.
Com informações da Folha de S.Paulo
Créditos (Imagem de capa): Alexandre de Moraes (STF) — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo