Centenas de usuários têm lotado o Reclame Aqui com queixas contra serviços de streaming pirata que saíram do ar nas últimas semanas. As reclamações envolvem plataformas como Eppi TV (também chamada de Eppi Cinema) e My Family Cinema, que foram derrubadas após uma operação policial internacional que teve origem na Argentina.
As reclamações chamam atenção porque se tratam de serviços ilegais, então ameaças repetidas de procurar o Procon não fazem sentido. As queixas também se repetem: pagamentos de planos mensais, trimestrais e anuais, e a súbita impossibilidade de acessar os conteúdos.
“Quero meu dinheiro de volta! Fiz pagamento para a EPPI Cinema plano trimestral e usei apenas 1 mês. A empresa encerrou e eu não consigo receber meu dinheiro de volta. EBUDY COMMON BODY nome que consta no pagamento anexo. R$ 54,84”, escreveu uma usuária indignada.






Outro consumidor relatou ter pago dois planos - um de seis meses e outro de um ano - e pediu resposta da plataforma: “O aplicativo foi extinto da plataforma e não foi enviado nenhuma opção ou outro aplicativo em substituição ao EPPI Cinema. Tenho muitos meses até vencer essas assinaturas. Gostaria de um retorno do EPPI a respeito desse assunto, afinal paguei e não foi pouco pra poder ver meus filmes e séries.”
Uma reclamação relatava que o plano anual foi assinado em julho desse ano e reclamava da falta de aviso sobre a suspensão do serviço. "Agora está fora do ar sem sequer ter um aviso prévio, quero o reembolso do valor pago, já que não estamos mais usufruindo do plano".
Até o momento, nenhuma dessas reclamações foi respondida. Em situações anteriores, representantes do serviço chegaram a interagir no site, que reúne queixas de consumidores, mas desde o bloqueio completo não há retorno.
Operação internacional derrubou rede bilionária
A queda das plataformas começou em 28 de agosto, quando a Justiça da Argentina, com apoio da Alianza Contra la Piratería Audiovisual (Alianza), grupo que reúne grandes estúdios e produtoras, deflagrou uma operação para desmantelar uma rede global de streaming ilegal.
As autoridades cumpriram mandados em quatro sedes de empresas controladoras e descobriram uma estrutura que movimentava entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões por ano (equivalente a até R$ 1 bilhão), oferecendo acesso pirata a filmes e séries.
O Brasil era o principal mercado: 74% dos 6,2 milhões de assinantes pagantes estavam no país, segundo as investigações.
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Estrutura multinacional: base argentina, tecnologia chinesa
A investigação revelou uma operação de nível corporativo. A Argentina concentrava marketing, vendas e atendimento ao cliente — a “vitrine” da rede. Já a China abrigava os setores de TI, finanças e administração, mantendo a operação ativa em diversos países da América Latina.
A escolha argentina se deu pelo custo operacional mais baixo e pelo acesso a mão de obra técnica qualificada, funcionando como ponte entre a estrutura asiática e os consumidores latino-americanos.
Estratégia de fuga: um nome cai, outro surge
Eppi TV, My Family Cinema, Duna TV e Boto TV não competiam entre si - eram variações de uma mesma operação. O grupo alternava nomes e marcas para escapar de processos judiciais e bloqueios, numa prática conhecida no meio da pirataria digital.
No total, 28 plataformas diferentes foram identificadas, entre elas TV Express, Vela Cinema, Cinefly, Vexel Cinema, Humo Cinema, Yoom Cinema, Bex TV, Jovi TV, Lumo TV, Nava TV, Samba TV e Ritmo TV, além de outras dezenas com nomes semelhantes.
O Eppi TV, frequentemente instalado em TV Boxes não homologadas pela Anatel, também é popular entre usuários do Fire TV, que recorrem a aplicativos alternativos para assistir conteúdo pirata. Com a nova política da Amazon, que promete coibir esse tipo de uso, o acesso a esses apps tende a se tornar ainda mais restrito.
Fonte/Créditos: Correio24horas
Créditos (Imagem de capa): Serviços piratas foram derrubados Crédito: Shutterstock
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