Aos 18 anos, a gaúcha Mariana Rodrigues Chaves saiu do interior do Rio Grande do Sul para alcançar um dos destinos acadêmicos mais disputados do mundo. Ex-aluna do Colégio Militar de Santa Maria (CMSM), ela foi aprovada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com bolsa integral, onde iniciará em 2026 o curso de Governo e Economia.
A conquista já impressionaria por si só, mas ganha ainda mais relevância por não ser um resultado isolado. Mariana concluiu o ensino médio após sete anos no Sistema Colégio Militar do Brasil e recebeu a confirmação da aprovação poucos dias depois, no fim de dezembro, consolidando uma trajetória marcada por disciplina, alto desempenho e preparo contínuo.
O feito trouxe à tona o papel da formação militar na educação. O CMSM, onde Mariana estudou, destaca em seus dados oficiais uma tradição de excelência acadêmica e índice de 66% de aprovação em universidades públicas. Já o Sistema Colégio Militar afirma ter como objetivo formar jovens autônomos, ativos e preparados para grandes desafios.
Foi nesse ambiente que a estudante construiu sua jornada até Harvard. Segundo o governo do Rio Grande do Sul, o projeto de estudar no exterior começou ainda no ensino fundamental e ganhou força com a participação em simulações da ONU, atividades de voluntariado e projetos de iniciação científica. Essas experiências direcionaram Mariana para áreas como liderança, política e impacto social.
Além do desempenho escolar, a estudante acumulou experiências relevantes. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), atuou como bolsista do PIBIC-EM em um projeto sobre alfabetização financeira digital, participou de pesquisas e análise de dados e assinou como coautora um artigo internacional publicado em 2025.
O processo seletivo de Harvard é conhecido por ir muito além das notas. A universidade exige histórico escolar, cartas de recomendação, redações, atividades extracurriculares e testes como SAT ou ACT. As perguntas complementares avaliam experiências pessoais, capacidade de lidar com divergências e planos futuros — um funil altamente competitivo, ainda mais para candidatos internacionais.
A bolsa integral foi o diferencial que elevou a conquista a outro nível. De acordo com a Secretaria da Educação do RS, o apoio cobre todos os custos da graduação, incluindo moradia, alimentação, transporte e seguro-saúde. Segundo dados oficiais de Harvard, o custo anual pode chegar a US$ 91.634, enquanto cerca de 24% dos სტუდantes não pagam nada e mais da metade recebe algum tipo de auxílio financeiro.
Para Mariana, esse suporte tornou o sonho viável na prática.
Apesar da conquista internacional, o plano da estudante não é permanecer fora do país. Em encontro no Palácio Piratini com o governador Eduardo Leite e a secretária Raquel Teixeira, ela afirmou que pretende retornar ao Brasil após a graduação para atuar com políticas públicas e ampliar o acesso de jovens a oportunidades educacionais no exterior.
Ela também apresentou propostas para aproximar estudantes da rede pública de processos seletivos internacionais e bolsas de estudo, alinhando seu projeto de vida com a formação que recebeu.
A trajetória de Mariana, que saiu de Santiago, cresceu em Santa Maria e passou por uma formação rigorosa no sistema militar, não representa apenas uma aprovação de elite. O caso evidencia como disciplina, estratégia e visão de longo prazo podem romper barreiras financeiras e acadêmicas.
Mais do que uma vitória individual, o episódio reforça um ponto cada vez mais presente no debate educacional: quando há base sólida e direcionamento, até mesmo uma estudante do interior gaúcho pode chegar à universidade mais prestigiada do mundo.
Fonte/Créditos: Sociedade Militar
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