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Quarta-feira, 29 de Abril 2026
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Quais efeitos da guerra no Oriente Médio para o Brasil? Analistas explicam

O país, apesar de ser exportador de petróleo fora da zona de risco, não está imune aos efeitos gerados pela escalada militar no Irã

Quais efeitos da guerra no Oriente Médio para o Brasil? Analistas explicam
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A escalada militar no Oriente Médio, com o ataque dos Estados Unido e Israel contra o Irã, repercute nos mercados globais nesta segunda-feira (2). Analistas tentam entender, principalmente, os possíveis impactos que a investida pode gerar ao Brasil.

De imediato, os preços do petróleo dispararam conforme inúmeras empresas paralisam seus navios no Estrito de Ormuz - importante rota de escoamento da produção global de petróleo.

Robson Gonçalves, economista da FGV, explica que os efeitos já são visíveis com a alta expressiva da commodity, que chegou a subir 12% antes de recuar para alta de 8%, e a queda generalizada nos mercados de valores ao redor do mundo.

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Ligia Maura Costa, advogada e professora da Fundação Getúlio Vargas, ressalta o impacto à segurança energética global. "Quando mísseis atingem a Arábia Saudita, não é apenas uma escalada do conflito regional, mas é um abalo direto na segurança energética do mundo", afirmou.

O Brasil, apesar de ser exportador de petróleo fora da zona de risco, não está imune aos efeitos.

A professora explica que o possível ganho com o aumento do preço da commodity para a Petrobras não compensará outros impactos negativos: "Nós usamos fertilizantes e esses fertilizantes são importados. E o fertilizante é a base do agro, então o custo para o agro vai aumentar".

Além da questão energética, o mercado brasileiro também se preocupa com a pressão inflacionária que deve surgir caso o conflito se prolongue.

Gonçalves afirma que "coloca-se no horizonte uma pressão inflacionária indiscutível", enfatizando os custos de energia e fertilizantes. Isso significa um cenário mais desafiador para a política monetária.

"Na medida em que uma pressão de custos se coloca no horizonte, consequentemente, as chances de nós começarmos um ciclo de queda de taxa de juros acaba ficando mais distante", analisa o economista, lembrando que juros mais altos significam menor crescimento econômico.

Nesta manhã, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que o conflito no Irã pode eventualmente antecipar a parada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central caso se intensifique um cenário de incerteza e de repasse para preços.

Impacto na economia global

Como desdobramento da guerra, grandes petrolíferas e empresas comerciais interromperam o transporte de petróleo bruto e combustíveis através do Estreito de Ormuz.

Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, destaca que o fechamento do canal pode causar impactos econômicos significativos em todo o mundo.

O estreito é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do petróleo global, proveniente principalmente de países como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Rodrigues explica que fisicamente não é possível fechar o canal, pois ele possui 33 quilômetros na área mais estreita. Mas, "acontecem bombardeios a navios e principalmente um próprio movimento de armadores e petroleiros de não passar os navios com medo desses bombardeios", explicou.

Com o impedimento da passagem pelo estreito, o preço do petróleo tende a subir significativamente, podendo ultrapassar os 100 dólares por barril, o que consequentemente eleva os preços dos combustíveis mundialmente. "Você tem combustíveis mais caros no mundo todo. Você tem uma recessão econômica, você tem inflação", alertou o especialista.

Entre os países mais afetados estão a Índia, China e Japão, principais destinos do petróleo que passa pelo estreito.

Do lado da oferta, países como Arábia Saudita, que escoa 90% de seu petróleo por essa rota, e Catar, que envia 100% de seu gás natural pelo mesmo canal, também sofrem impactos econômicos severos.

"Portanto, se o estreito é fechado ou para a circulação, esses países também perdem receita", destacou Rodrigues.

Fonte/Créditos: CNN

Créditos (Imagem de capa): REUTERS/Evelyn Hockstein

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