Um professor foi afastado de seu cargo na Escola Técnica Estadual (Etec) de Cubatão (SP) após um ex-aluno, de 20 anos, procurar a Polícia Civil para denunciá-lo por perseguição. Conforme o boletim de ocorrência ao qual o Terra teve acesso, o docente enviou mensagens de teor sexual em diversas ocasiões.
Segundo relato, a tentativa de contato começou em maio de 2024, quando o jovem ainda tinha 18 anos, e recebeu uma mensagem via WhatsApp de um número desconhecido, “com conteúdo excessivamente íntimo e inadequado”, o que lhe causou desconforto. Na tentativa de identificar de quem se tratava, ele jogou o número no banco para fazer um Pix e descobriu que era seu professor de ética.
No registro, o rapaz conta que continuou recebendo mensagens esporadicamente do mesmo teor. Ele chegou a procurar a instituição na época e tentou fazer um boletim de ocorrência, mas a denúncia não chegou a ser concluída. A vítima também bloqueou o número dele numa tentativa de cessar o contato.
No entanto, o professor passou a entrar em contato por outros números, que também foram bloqueados, e mesmo assim, as tentativas de comunicação continuaram via WhatsApp. Prints veiculados pela VTV, afiliada do SBT na Baixada Santista, mostram que o homem dizia que ele era "lindo" e "gostoso", além de “bundudo gostoso”.

Na última segunda, 8, o docente mandou mais uma mensagem, desta vez via Telegram. A insistência em manter contato, segundo o relato, tem causado constrangimento, desconforto e sensação de insegurança no jovem. Por isso, ele decidiu denunciar o caso à Polícia Civil.
O caso foi registrado como perseguição na Delegacia Eletrônica e deve ser encaminhado ao 3º DP da cidade. A reportagem pediu mais informações à Secretaria da Segurança Pública (SSP), mas não teve retorno até o momento.
Já o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela Etec de Cubatão, confirmou que o professor foi afastado cautelarmente de suas atividades até a conclusão da apuração preliminar do caso.
“Ao tomar conhecimento dos fatos, a direção da Etec de Cubatão prestou acolhimento ao ex-aluno e o orientou a registrar o boletim de ocorrência. O denunciante não é mais aluno da unidade. A denúncia já seguiu para a Controladoria Geral do Estado”, disse em nota.
Ainda segundo o CPS, a instituição possui uma Comissão Permanente de Orientação e Prevenção contra o Assédio Moral e Sexual para capacitação de profissionais, visando conscientizar a comunidade acadêmica e seus funcionários sobre respeito irrestrito aos direitos civis.
“O Centro Paula Souza segue acompanhando o caso e está à disposição das autoridades. O CPS repudia toda e qualquer forma de assédio dentro e fora de suas unidades”, finalizou.
Esta reportagem contém trechos de mensagens com teor sexual e, ou, relatos de assédio. O conteúdo pode ser considerado sensível para alguns leitores. Recomenda-se discrição.
Fonte/Créditos: Terra
Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução/VTV
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