Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 07 de Maio 2026
MENU
Notícias / Política

Preso pela PF, ex-presidente do INSS liderou grupo da Previdência na transição para o governo Lula

Stefanutto ocupou postos-chave mesmo sob suspeita; investigação aponta propina ligada a entidades hoje na mira da CPI

Preso pela PF, ex-presidente do INSS liderou grupo da Previdência na transição para o governo Lula
A-
A+
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, responsável por comandar o grupo técnico da Previdência Social durante a transição para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se novamente foco de atenção após ser preso pela Polícia Federal na quinta-feira (13). A operação investiga um esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários.

Documentos divulgados pelo O Globo, nesta segunda-feira (17), mostram que Stefanutto ganhou espaço na gestão petista ainda no início de 2023, mesmo já sendo investigado por suspeita de corrupção. Ele chefiou um dos 33 grupos temáticos da transição e atuou ao lado de entidades que hoje são alvo direto tanto da PF quanto da CPI do INSS.

Entre os integrantes daquele grupo estavam representantes do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas (Sindnapi) e da Contag, entidades que agora são apontadas como participantes de desvios milionários.

Publicidade

Leia Também:

Investigadores afirmam que propina era paga durante a transição

As apurações indicam que Stefanutto já recebia pagamentos ilícitos enquanto atuava no grupo de transição. A Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares) teria repassado mensalmente entre R$ 50 mil e R$ 100 mil em troca de favorecimentos dentro do INSS.

Esses favorecimentos estariam relacionados aos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) — mecanismos que autorizavam o desconto automático de mensalidades associativas na folha de aposentados. Segundo a PF, o uso desse instrumento foi central para sustentar o esquema fraudulento.

Alertas ignorados e ascensão dentro do governo

O ACT da Conafer foi firmado em 2017, quando Stefanutto era procurador-geral do INSS. Com o início do governo Lula, ele voltou ao órgão como diretor de Orçamento e Logística e, após três meses, assumiu a presidência da autarquia, indicado pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Mesmo diante de alertas de irregularidades, Stefanutto permaneceu no comando até abril de 2024, quando a primeira fase da Operação Sem Desconto revelou fraudes em larga escala. Lula determinou sua demissão, contrariando a tentativa de Lupi de mantê-lo no posto.

Mudança legislativa beneficiou sindicatos investigados

Antes do novo governo assumir, o Congresso derrubou uma regra de 2019 que exigia revisão periódica dos ACTs. A revogação, incluída discretamente em um projeto sobre microcrédito relatado pelo deputado Luís Miranda (Republicanos-DF), beneficiou entidades acusadas de aplicar descontos ilegais — entre elas o Sindnapi.

O grupo de transição da Previdência também reunia nomes ligados ao sindicato. Um deles era Luiz Antônio Adriano da Silva, o Luizão, secretário-geral do Sindnapi e coordenador da equipe técnica.

Outra participante era a advogada Tonia Galleti, filha do fundador do sindicato. Ela afirmou à CPI que alertou o ministro Lupi sobre fraudes em 2023, mas não houve posicionamento oficial. Apesar de se apresentar como denunciante, Tonia é investigada por suposto recebimento de valores do próprio sindicato — o relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) afirma que a família dela recebeu R$ 20 milhões. Ela nega irregularidades e diz que os recursos são fruto de serviços jurídicos, acusando parlamentares de tentarem “matar o mensageiro”.

Sindnapi: bloqueio milionário e ligação com irmão de Lula

O Sindnapi ocupa posição central nas investigações. José Ferreira da Silva, o Frei Chico — irmão de Lula — é vice-presidente da entidade. O ministro André Mendonça (STF) determinou o bloqueio de R$ 390 milhões em bens e valores vinculados ao sindicato.

Outro integrante do grupo técnico, Evandro José Morello, da Contag, segue participando do Conselho Nacional da Previdência Social.

Em nota, a defesa de Stefanutto afirma que ele é inocente, tem colaborado com as autoridades e considera a prisão “completamente ilegal”.

 

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Aliados Brasil
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR