O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou nesta quinta-feira (data conforme divulgação) que seu governo retomará oficialmente as relações diplomáticas com Israel, encerrando o período de afastamento iniciado durante a gestão do atual presidente, Gustavo Petro. Além disso, o futuro chefe de Estado informou que pretende abrir uma embaixada colombiana em Jerusalém, cidade reconhecida por Israel como sua capital.
O anúncio representa uma das primeiras sinalizações da política externa que será adotada por De la Espriella, eleito no mês passado. Durante a campanha, o político defendeu uma aproximação com países considerados aliados estratégicos, especialmente Israel e os Estados Unidos, prometendo uma mudança de rumo em relação às decisões tomadas pelo governo de Petro.
Segundo comunicado divulgado pela equipe de transição, o futuro chanceler colombiano, Omar Bula Escobar, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, para formalizar um entendimento entre os dois governos.
O acordo prevê a retomada imediata das relações diplomáticas, com a nomeação de novos embaixadores, além da eliminação recíproca da exigência de vistos entre os dois países. O documento também estabelece avanços para a instalação da futura Embaixada da Colômbia em Jerusalém.
No comunicado, a cidade é mencionada como "capital de Israel", posição adotada pelo novo governo colombiano. O tema permanece sensível no cenário internacional, já que Jerusalém também é reivindicada pelos palestinos como capital de um futuro Estado palestino. Nos últimos anos, alguns países passaram a reconhecer Jerusalém como capital israelense, entre eles os Estados Unidos, que transferiram sua embaixada para a cidade em 2018, durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.
Mudança em relação ao governo Petro
A iniciativa representa uma reversão das medidas adotadas por Gustavo Petro, que rompeu as relações diplomáticas com Israel em 2024, durante o conflito na Faixa de Gaza.
Na época, Petro afirmou que a decisão estava relacionada às críticas de seu governo à condução da guerra e declarou apoio ao processo apresentado pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de cometer genocídio contra a população palestina — acusação rejeitada pelo governo israelense.
Posteriormente, o governo colombiano também determinou a saída de diplomatas israelenses do país e suspendeu o acordo de livre comércio entre as duas nações, aprofundando o distanciamento diplomático.
Agora, a equipe de De la Espriella afirma que pretende restaurar completamente essa parceria.
"O relacionamento histórico que o governo Petro rompeu unilateralmente será fortalecido mais uma vez", diz o comunicado divulgado pelo presidente eleito.
O texto acrescenta ainda que a Colômbia pretende "recuperar seus aliados, sua credibilidade diplomática e seu lugar como um parceiro confiável no cenário internacional".
Israel comemora decisão
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, confirmou o entendimento entre os dois países após encontro com Omar Bula Escobar, realizado em Washington durante uma agenda diplomática que também reuniu representantes da Argentina, Paraguai e Bolívia.
Em publicação nas redes sociais, Saar comemorou a retomada das relações.
"A Colômbia foi um dos maiores amigos de Israel, e essa amizade em breve será mais forte do que nunca", escreveu o chanceler israelense.
Aproximação com Estados Unidos
Desde a campanha eleitoral, De la Espriella defende uma política externa voltada para o fortalecimento das relações com os Estados Unidos e outras nações alinhadas ao Ocidente.
O presidente eleito também declarou admiração por líderes como Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, afirmando que pretende adotar medidas voltadas ao combate ao crime organizado, à recuperação da segurança pública e ao fortalecimento da economia colombiana.
Sua vitória foi considerada uma das maiores surpresas da política colombiana recente. Apresentando-se como um nome de fora da política tradicional, De la Espriella derrotou o candidato apoiado por Gustavo Petro, Iván Cepeda, por uma diferença inferior a um ponto percentual.
Analistas apontam que o voto dos colombianos residentes no exterior teve papel importante no resultado da eleição.
Desafios antes da posse
Mesmo antes de assumir oficialmente o cargo, De la Espriella já enfrenta impasses com o atual governo.
Nesta semana, o presidente eleito solicitou que sua cerimônia de posse fosse realizada em uma base militar, alegando razões de segurança e simbolismo institucional. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo governo de Gustavo Petro, que defendeu a manutenção da tradição constitucional de realizar a cerimônia no Congresso Nacional.
Após a negativa, De la Espriella pediu apoio aos parlamentares que assumirão seus mandatos na próxima legislatura para autorizar a mudança do local. Entretanto, especialistas avaliam que a proposta enfrenta dificuldades para avançar, já que o grupo político do presidente eleito deverá ser minoria no novo Congresso colombiano.
A retomada das relações com Israel deverá ser uma das primeiras medidas do novo governo após a posse, marcando uma mudança significativa na política externa da Colômbia em relação aos últimos anos.
Créditos (Imagem de capa): Presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella — Foto: Schneyder MENDOZA / AFP
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se