A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, publicou nas redes sociais nesta sexta-feira (17) um discurso de apoio à tarifa adicional de 25% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. “Os dias de injustiça acabaram”, escreveu a secretária.
Na publicação, Rollins afirmou que, durante anos, o Brasil colocou fazendeiros e produtores americanos em desvantagem por meio de práticas comerciais que considera “injustas”, e mencionou o “desmatamento ilegal” no país como um dos pontos criticados. “Obrigada, presidente Donald Trump, e ao Representante de Comércio dos Estados Unidos, por tomarem medidas para responsabilizar o Brasil e lutar pelos fazendeiros americanos”, disse.
A secretária também afirmou que a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil sobre o etanol americano reduziu as exportações dos EUA em mais de 87% desde 2018. “Esses dias estão chegando ao fim”, sentenciou, completando que, “sob a liderança do presidente Trump, estamos lutando para abrir mercados, nivelar as condições de concorrência e colocar os fazendeiros e produtores americanos em primeiro lugar”.
O que motivou a tarifa
A tarifa adicional de 25% foi oficializada pelo governo americano na quarta-feira (15), após uma investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apontou supostas práticas comerciais desleais do Brasil. O documento do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) lista como alvos da apuração temas como o Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento.
Reação do governo brasileiro
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a tarifa é resultado de uma investigação unilateral, sem justificativa para sua aplicação. Segundo ele, desde março de 2025 o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões com autoridades americanas, incluindo contatos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em busca de uma solução negociada.
Vieira rebateu as críticas ao Pix e ao desmatamento, classificando como “descabidas” as alegações de que o sistema de pagamentos prejudica a concorrência e afirmando que as acusações sobre a política ambiental brasileira “não têm lastro na realidade”. O chanceler destacou a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2022.
Próximos passos
O governo brasileiro anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida.
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