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Sábado, 25 de Abril 2026
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Por que uma queda nas exportações para os EUA pode não deixar a carne mais barata no Brasil?

Segundo analistas, oferta do alimento não vai aumentar, mesmo com tarifaço.

Por que uma queda nas exportações para os EUA pode não deixar a carne mais barata no Brasil?
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A carne está entre os alimentos alvos da tarifa de 50% sobre as compras de produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

Se a exportação para os EUA diminuir por causa disso, quer dizer que vai sobrar carne no Brasil e os preços vão baixar, seguindo a lei da oferta e procura? Não, dizem analistas.

Pode até acontecer uma redução por pouco tempo, mas a tendência de alta no preço da carne deverá predominar.

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É que a oferta do produto no Brasil deve cair nos próximos meses, pelos seguintes motivos:

  1. Segundo economistas entrevistados pelo g1, independente do tarifaço, já estava previsto que a indústria fosse abater menos bois neste 2º semestre, para priorizar a reprodução de fêmeas.
  2. Com a sobretaxa nas vendas para os EUA (segundo maior mercado da carne brasileira no exterior), esse movimento será reforçado, e mais animais serão segurados no pasto.
  3. Enquanto a oferta será menor, a procura dos brasileiros pela carne permanecerá a mesma. Assim, os preços devem seguir uma tendência de alta.
  4. Num médio prazo, os exportadores também poderão conquistar novos mercados para o gado que ficou no pasto, substituindo os EUA por compradores de outros países.

Entenda mais sobre o preço da carne a seguir:

Como estão os preços agora?

Os preços da carne bovina no Brasil caíram 0,35% em junho, na comparação com maio, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.

Mas, na comparação com 12 meses atrás, as carnes ficaram 23,63% mais caras.

O início do tarifaço poderá até fazer o preço cair nos supermercados, para que o mercado brasileiro absorva os bois que foram abatidos visando vendas para os EUA.

Mas esse cenário não deve durar muito tempo, aponta Wagner Yanaguizawa, especialista em proteína animal do banco Rabobank.

Por que a oferta de carne não vai crescer?

O motivo é que, com ou sem tarifaço, o número de abates já iria diminuir nos próximos meses, reduzindo a oferta de carne e, portanto, fazendo os preços subirem.

Essa alta já era esperada: os pecuaristas se planejavam para segurar mais fêmeas para reprodução.

Isso acontece por causa do ciclo pecuário, que funciona assim:

  • alta do ciclo: quando há uma expectativa de subida nos preços do bezerro, os pecuaristas, em vez de abaterem as vacas, as mantêm nas fazendas para reprodução, movimento que provoca um aumento nas cotações dos bovinos (boi gordo, bezerro, novilhas, boi magro, vaca gorda, etc);
  • baixa do ciclo: quando as projeções do preço do bezerro começam a cair, um volume maior de fêmeas é encaminhado para os abates. Isso amplia a quantidade de carne no mercado, gerando uma queda nas cotações dos bovinos. O auge no abate foi em 2024 .
  • tarifaço só deverá reforçar esse movimento de queda nos abates. Os frigoríficos brasileiros já pararam de produzir carne bovina destinada aos EUA, afirmou o presidente da associação dos exportadores (Abiec), Roberto Perosa, na última quarta-feira (30).

    Produtores também estão mandando menos animais ao confinamento para a engorda, fase final da criação antes do abate, diz Cesar de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.

    Com menos bois sendo engordados e abatidos, a oferta interna também cai. Ou seja, a carne pode ficar ainda mais cara, segundo os especialistas.

    "Nós vamos ver o (preço do) boi cair e, lá na frente, ver a carne subir mais ainda", resume Alves.

Qual é o peso dos EUA nas vendas do Brasil?

Vale lembrar que só 20% da carne bovina produzida no Brasil é exportada: a maior parte é consumida dentro do país.

E existe uma diferença de gostos: os EUA importam, principalmente, a parte dianteira do boi, usada em hambúrgueres. Já os brasileiros preferem a traseira do boi, de onde saem cortes como a picanha e a alcatra, explica Alves .

Exportadores dizem que não existe um substituto imediato para os EUA. E que, com o tarifaço, o Brasil corre risco de perder US$ 1 bilhão em 2025 nesse setor.

Mas, assim como no café, não seria fácil os norte-americanos encontrarem outro fornecedor de carne como o Brasil.

O país de Trump é um grande produtor, mas não dá conta, sozinho, da enorme demanda interna pelo alimento. Por isso, precisa importar.

A Austrália é o principal fornecedor do mercado americano, mas ela se volta mais para os cortes que vão direto para os supermercados, e não para a indústria, como o Brasil.

Por outro lado, os EUA não são os maiores compradores da carne brasileira: receberam 12% do que foi exportado neste ano.

É um volume que não se compara com o da China, para onde foi quase a metade de toda a carne que o Brasil mandou para o exterior.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): imagem ilustrativa

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