A Sexta-feira Santa, também chamada de Sexta-feira da Paixão, será celebrada neste ano no dia 18 de abril. A data é uma das mais importantes do calendário cristão e marca, segundo a tradição, o dia da crucificação e morte de Jesus Cristo. Inserida na Semana Santa — que começa no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa —, ela é vivida por milhões de fiéis como um momento de reflexão, silêncio e renovação espiritual.
Mais do que um feriado, a data carrega um profundo significado religioso. Para os cristãos, é um dia de luto e contemplação do sacrifício de Jesus pela humanidade, antecedendo a celebração da ressurreição, no Domingo de Páscoa.
Por que não se come carne na Sexta-feira Santa?
Uma das tradições mais conhecidas desse período é a abstinência de carne, especialmente entre os católicos. Na Sexta-feira Santa, muitos fiéis deixam de consumir carne vermelha — e, em alguns casos, também carnes brancas — como forma de penitência.
A prática está ligada ao espírito de sacrifício e renúncia, elementos centrais desse momento litúrgico. A ideia não é apenas mudar a alimentação, mas exercitar o autocontrole e a espiritualidade.
Segundo a Igreja Católica, trata-se de um gesto simbólico de respeito e participação no sofrimento de Cristo. Além disso, o dia também é marcado pelo jejum, que consiste em reduzir a quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia.
Por que o peixe é permitido?
Embora a carne seja evitada, o consumo de peixe é tradicionalmente permitido. De acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), isso ocorre porque o peixe é historicamente visto como um alimento mais simples e humilde, alinhado à proposta de penitência.
Além disso, o peixe carrega um forte simbolismo dentro do cristianismo. Nos primeiros séculos da fé cristã, ele era utilizado como um símbolo secreto entre os fiéis. A palavra “peixe”, em grego (ichthys), forma um acrônimo para “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.
O alimento também está associado a passagens bíblicas importantes, como o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.
Historicamente, o peixe também era mais acessível do que a carne vermelha, especialmente nas regiões próximas a rios e mares. No entanto, essa realidade mudou ao longo do tempo. Hoje, em períodos próximos à Páscoa, o preço de peixes pode subir significativamente, o que reforça um ponto importante destacado por líderes religiosos: o foco não está no tipo de alimento, mas na prática da abstinência.
O verdadeiro sentido do jejum
De acordo com o padre Miguel Lisboa Aguiar Marcondes, da Paróquia Santo Antônio de Lisboa, o jejum vai muito além da alimentação.
Segundo ele, a abstinência representa um exercício de domínio da própria vontade, com o objetivo de se aproximar de Deus. Em outras palavras, trata-se de abrir mão de algo que ocupa espaço na vida cotidiana para fortalecer a espiritualidade.
O padre também faz um alerta: substituir a carne por alimentos caros ou sofisticados pode esvaziar o sentido da prática. O ideal é optar por algo simples, dentro da realidade de cada pessoa.
Para aqueles que não podem jejuar por questões de saúde ou outras limitações, a orientação é substituir o gesto por outras formas de vivência espiritual, como a oração, a caridade, a escuta e o cuidado com o próximo.
Quem deve fazer jejum?
A Igreja Católica orienta que o jejum seja praticado por fiéis entre 16 e cerca de 70 anos. Pessoas com problemas de saúde, como diabetes, ou outras condições específicas, são dispensadas da obrigatoriedade.
Além da Sexta-feira Santa, muitos católicos também mantêm a abstinência de carne em todas as sextas-feiras da Quaresma, período que começa na Quarta-feira de Cinzas e prepara os fiéis para a Páscoa.
O que diz a Bíblia?
A prática do jejum também encontra respaldo em passagens bíblicas. Em Mateus 9:15, por exemplo, há a orientação de que os discípulos jejuariam após a ausência de Cristo, o que é interpretado por muitos como um fundamento espiritual para esse costume.
Ainda assim, é importante destacar que a Bíblia não estabelece uma proibição direta e específica sobre o consumo de carne na Sexta-feira Santa. A prática é uma tradição consolidada principalmente pela Igreja Católica ao longo dos séculos.
E os evangélicos?
Entre os cristãos evangélicos, a forma de vivenciar a Sexta-feira Santa pode variar bastante. Diferentemente do catolicismo, não há uma regra institucional que determine a abstinência de carne nesse dia.
Muitos evangélicos não seguem a tradição alimentar, mas ainda reconhecem o significado da data, dedicando o período à reflexão, à oração e à participação em cultos especiais.
Em outras palavras, enquanto os católicos possuem orientações mais estruturadas sobre jejum e abstinência, os evangélicos tendem a enfatizar uma vivência mais individual da fé, sem regras alimentares obrigatórias.
O que acontece em cada dia da Semana Santa?
A Semana Santa reúne uma sequência de celebrações importantes para os cristãos:
- Domingo de Ramos: marca a entrada de Jesus em Jerusalém
- Quinta-feira Santa: relembra a Última Ceia e o gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos
- Sexta-feira Santa: recorda a crucificação e morte de Cristo
- Sábado de Aleluia: momento de vigília e ожид espera pela ressurreição
- Domingo de Páscoa: celebra a ressurreição de Jesus, simbolizando renovação e esperança
Pode comer carne no Sábado de Aleluia?
A Igreja Católica não impõe a abstinência de carne no Sábado de Aleluia. Ainda assim, alguns fiéis optam por manter a prática até a celebração da Páscoa, como forma de devoção pessoal.
Mais do que tradição, um momento de fé
Apesar das diferenças entre denominações cristãs, a Sexta-feira Santa permanece como um dos momentos mais significativos para milhões de pessoas ao redor do mundo.
Seja por meio do jejum, da abstinência ou da oração, o período convida à reflexão sobre valores como fé, sacrifício, humildade e esperança.
Mais do que uma regra alimentar, a data propõe uma pausa na rotina para relembrar o sentido espiritual da Páscoa: a mensagem de renovação e vida que marca a ressurreição de Cristo.
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