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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
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Por que não comer carne na Sexta-feira Santa? Tradição que atravessa séculos envolve fé e diferenças entre católicos e evangélicos

A tradição atravessa séculos, envolve fé, reflexão e práticas diferentes entre católicos e evangélicos

Por que não comer carne na Sexta-feira Santa? Tradição que atravessa séculos envolve fé e diferenças entre católicos e evangélicos
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A Sexta-feira Santa, também chamada de Sexta-feira da Paixão, será celebrada neste ano no dia 18 de abril. A data é uma das mais importantes do calendário cristão e marca, segundo a tradição, o dia da crucificação e morte de Jesus Cristo. Inserida na Semana Santa — que começa no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa —, ela é vivida por milhões de fiéis como um momento de reflexão, silêncio e renovação espiritual.

Mais do que um feriado, a data carrega um profundo significado religioso. Para os cristãos, é um dia de luto e contemplação do sacrifício de Jesus pela humanidade, antecedendo a celebração da ressurreição, no Domingo de Páscoa.

Por que não se come carne na Sexta-feira Santa?

Uma das tradições mais conhecidas desse período é a abstinência de carne, especialmente entre os católicos. Na Sexta-feira Santa, muitos fiéis deixam de consumir carne vermelha — e, em alguns casos, também carnes brancas — como forma de penitência.

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A prática está ligada ao espírito de sacrifício e renúncia, elementos centrais desse momento litúrgico. A ideia não é apenas mudar a alimentação, mas exercitar o autocontrole e a espiritualidade.

Segundo a Igreja Católica, trata-se de um gesto simbólico de respeito e participação no sofrimento de Cristo. Além disso, o dia também é marcado pelo jejum, que consiste em reduzir a quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia.

Por que o peixe é permitido?

Embora a carne seja evitada, o consumo de peixe é tradicionalmente permitido. De acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), isso ocorre porque o peixe é historicamente visto como um alimento mais simples e humilde, alinhado à proposta de penitência.

Além disso, o peixe carrega um forte simbolismo dentro do cristianismo. Nos primeiros séculos da fé cristã, ele era utilizado como um símbolo secreto entre os fiéis. A palavra “peixe”, em grego (ichthys), forma um acrônimo para “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

O alimento também está associado a passagens bíblicas importantes, como o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

Historicamente, o peixe também era mais acessível do que a carne vermelha, especialmente nas regiões próximas a rios e mares. No entanto, essa realidade mudou ao longo do tempo. Hoje, em períodos próximos à Páscoa, o preço de peixes pode subir significativamente, o que reforça um ponto importante destacado por líderes religiosos: o foco não está no tipo de alimento, mas na prática da abstinência.

O verdadeiro sentido do jejum

De acordo com o padre Miguel Lisboa Aguiar Marcondes, da Paróquia Santo Antônio de Lisboa, o jejum vai muito além da alimentação.

Segundo ele, a abstinência representa um exercício de domínio da própria vontade, com o objetivo de se aproximar de Deus. Em outras palavras, trata-se de abrir mão de algo que ocupa espaço na vida cotidiana para fortalecer a espiritualidade.

O padre também faz um alerta: substituir a carne por alimentos caros ou sofisticados pode esvaziar o sentido da prática. O ideal é optar por algo simples, dentro da realidade de cada pessoa.

Para aqueles que não podem jejuar por questões de saúde ou outras limitações, a orientação é substituir o gesto por outras formas de vivência espiritual, como a oração, a caridade, a escuta e o cuidado com o próximo.

Quem deve fazer jejum?

A Igreja Católica orienta que o jejum seja praticado por fiéis entre 16 e cerca de 70 anos. Pessoas com problemas de saúde, como diabetes, ou outras condições específicas, são dispensadas da obrigatoriedade.

Além da Sexta-feira Santa, muitos católicos também mantêm a abstinência de carne em todas as sextas-feiras da Quaresma, período que começa na Quarta-feira de Cinzas e prepara os fiéis para a Páscoa.

O que diz a Bíblia?

A prática do jejum também encontra respaldo em passagens bíblicas. Em Mateus 9:15, por exemplo, há a orientação de que os discípulos jejuariam após a ausência de Cristo, o que é interpretado por muitos como um fundamento espiritual para esse costume.

Ainda assim, é importante destacar que a Bíblia não estabelece uma proibição direta e específica sobre o consumo de carne na Sexta-feira Santa. A prática é uma tradição consolidada principalmente pela Igreja Católica ao longo dos séculos.

E os evangélicos?

Entre os cristãos evangélicos, a forma de vivenciar a Sexta-feira Santa pode variar bastante. Diferentemente do catolicismo, não há uma regra institucional que determine a abstinência de carne nesse dia.

Muitos evangélicos não seguem a tradição alimentar, mas ainda reconhecem o significado da data, dedicando o período à reflexão, à oração e à participação em cultos especiais.

Em outras palavras, enquanto os católicos possuem orientações mais estruturadas sobre jejum e abstinência, os evangélicos tendem a enfatizar uma vivência mais individual da fé, sem regras alimentares obrigatórias.

O que acontece em cada dia da Semana Santa?

A Semana Santa reúne uma sequência de celebrações importantes para os cristãos:

  • Domingo de Ramos: marca a entrada de Jesus em Jerusalém
  • Quinta-feira Santa: relembra a Última Ceia e o gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos
  • Sexta-feira Santa: recorda a crucificação e morte de Cristo
  • Sábado de Aleluia: momento de vigília e ожид espera pela ressurreição
  • Domingo de Páscoa: celebra a ressurreição de Jesus, simbolizando renovação e esperança

Pode comer carne no Sábado de Aleluia?

A Igreja Católica não impõe a abstinência de carne no Sábado de Aleluia. Ainda assim, alguns fiéis optam por manter a prática até a celebração da Páscoa, como forma de devoção pessoal.

Mais do que tradição, um momento de fé

Apesar das diferenças entre denominações cristãs, a Sexta-feira Santa permanece como um dos momentos mais significativos para milhões de pessoas ao redor do mundo.

Seja por meio do jejum, da abstinência ou da oração, o período convida à reflexão sobre valores como fé, sacrifício, humildade e esperança.

Mais do que uma regra alimentar, a data propõe uma pausa na rotina para relembrar o sentido espiritual da Páscoa: a mensagem de renovação e vida que marca a ressurreição de Cristo.

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