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Sábado, 18 de Abril 2026
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Por que a Lua deve virar nova fronteira de disputa por recursos — e como o Brasil tenta 'pegar carona' na missão da Nasa

Missão recente reacende interesse global pelo satélite, que concentra minerais estratégicos e pode ser chave para energia do futuro; país tenta participar com projetos científicos.

Por que a Lua deve virar nova fronteira de disputa por recursos — e como o Brasil tenta 'pegar carona' na missão da Nasa
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A Lua deve virar uma nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados.

Com um programa espacial ainda modesto, o Brasil tenta pegar "carona" com a Nasa para desenvolver projetos de agricultura no ambiente da Lua e também tecnologia de satélites.

Por que o interesse pela Lua voltou?

A última vez que o homem pisou na Lua foi em 1972, durante as missões do programa Apollo. Nesta quarta-feira (1º), a missão Artemis II marcou a retomada das viagens tripuladas ao entorno do satélite.

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Mas por que o interesse da humanidade pela Lua redespertou décadas depois? Segundo Alexandre Cherman, diretor do Planetário do Rio, a resposta está na viabilidade econômica.

"Economicamente ainda não era viável. Hoje nós sabemos que a lua tem minerais tem elementos químicos muito importantes para a economia da Terra", diz.

Cherman aponta que alguns desses minerais e elementos são encontrados também no planeta Terra e estão em evidência mais do que nunca.

"Todo mundo já ouviu falar dos elementos de terras raras, que são muito importantes para a microinformática, compostos eletrônicos. Então assim, 99% da eletrônica que você tem, celular, câmera, televisão, depende desse tipo de minerais".

Mas o recurso mais cobiçado é o Hélio-3. Está sendo chamado de "ouro da lua" ou "combustível do futuro". Considerado uma fonte de energia eficiente, limpa e sem emissão de gás carbônico, rara na Terra.

"A energia nuclear do futuro é a fusão nuclear, que são elementos leves que não deixam o rastro radioativo. E o hélio-3, que é esse isótopo que tem muito na lua, é muito, muito importante para esse processo".

Empresas privadas já se movimentam nesse mercado. Uma startup norte-americana, por exemplo, desenvolve tecnologias para a extração do material diretamente na Lua.

Disputa entre países e tentativa do Brasil de se inserir na corrida espacial

Cerca de 70 países já participam de acordos de cooperação para exploração lunar, como os Estados Unidos e a China.

O Brasil tenta avançar nesse cenário com dois projetos que podem integrar futuras missões.

O diretor da Agência Espacial Brasileira conta que um acordo bilateral está sendo negociado com os Estados Unidos para que dois projetos nacionais peguem uma "carona" rumo à Lua ao longo do projeto Artemis.

Entre eles, estão: um satélite científico de clima espacial, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deve orbitar a Lua; e um projeto com a Embrapa para cultivo de alimentos em bases lunares.

Os primeiros testes devem incluir alimentos como grão-de-bico e batata-doce.

"Já temos aí financiamento para esses dois projetos. Então nós estamos discutindo com a com a Embrapa vários cenários cenários, por exemplo, de você fazer cultivo dentro de uma base lunar então você teria e fazendas verticais eventualmente existem cavernas na lua e dentro de uma caverna dessa a gente poderia encontrar um ambiente mais propício para você fazer esse tipo de cultivo", explica Rodrigo Leonardi, diretor da Agência Espacial Brasileira.

Esta foto sem data, fornecida pela NASA, mostra uma vista da superfície da Lua a partir da sua órbita. — Foto: Ernie T. Wright/NASA via AP

Esta foto sem data, fornecida pela NASA, mostra uma vista da superfície da Lua a partir da sua órbita. — Foto: Ernie T. Wright/NASA via AP

Da ficção à realidade

A possibilidade de cultivar alimentos fora da Terra já foi explorada no cinema. No filme Perdido em Marte, um astronauta sobrevive ao plantar batatas em solo marciano — cenário inspirado em estudos reais conduzidos pela NASA.

Hoje, iniciativas semelhantes começam a sair do campo da ficção. Estados Unidos e China já iniciaram testes com sementes em missões não tripuladas à Lua.

De volta à Lua — e rumo a Marte

A nova corrida espacial combina desenvolvimento científico, disputa tecnológica e interesses econômicos. Diferentemente do passado, a presença humana na Lua agora é vista como um projeto de longo prazo.

A expectativa é que o satélite funcione como uma base para futuras missões mais ambiciosas — especialmente para Marte, o chamado “planeta vermelho”.

“Vai-se à Lua, vai-se voltar à Lua e manter uma presença no satélite, que servirá como portal para o próximo passo: a chegada a Marte. Não tenho dúvidas de que a primeira pessoa que vai a Marte já nasceu", pontua Alexandre Cherman, diretor do Planetário do Rio.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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