A Polícia Federal encontrou nesta quinta-feira (17) notas de dinheiro escondidas dentro de um sapato na casa do vereador de Campo Formoso (BA), Francisquinho Nascimento (União), durante o cumprimento de mandados da quinta fase da Operação Overclean. O parlamentar é primo do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), uma das principais lideranças do Centrão no Congresso Nacional.
A operação investiga um esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. Além do vereador, o irmão do deputado, Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso, também foi alvo de mandados de busca e apreensão.
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados em cidades da Bahia (Campo Formoso, Salvador, Senhor do Bonfim e Mata de São João), além de Brasília (DF) e Petrolina (PE). Um servidor público também foi afastado do cargo por ordem judicial.
Francisquinho já havia sido preso em dezembro de 2023, após arremessar uma mala com mais de R$ 200 mil em espécie pela janela de casa durante outra fase da operação. Solto no mesmo mês, ele segue sob investigação por suposta atuação para favorecer empresas investigadas em processos licitatórios no município. Antes de assumir o cargo de vereador, foi secretário-executivo da prefeitura.
A ação desta quinta-feira foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal. De acordo com a PF, o grupo investigado teria manipulado procedimentos licitatórios e promovido o desvio de verbas públicas com pagamento de propina, além de tentar obstruir as investigações.
Fontes próximas à apuração indicam que o foco da operação é a estrutura política e familiar do deputado Elmar Nascimento, embora ele não tenha sido alvo direto dos mandados. A investigação mira convênios firmados em 2022 entre a prefeitura de Campo Formoso e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), onde a licitação sob suspeita foi realizada em 2023.
O ex-presidente da Codevasf, Marcelo Moreira, também foi alvo de buscas. Durante a ação, o pai dele foi preso por porte ilegal de arma.
Em nota, a Codevasf afirmou que “mantém compromisso com a elucidação dos fatos e com a integridade de suas ações”, e que continuará colaborando com as autoridades.
A última fase da Operação Overclean havia sido deflagrada em junho deste ano, com foco em dois prefeitos da Bahia e um assessor parlamentar do deputado Félix Mendonça (PDT-BA).
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
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