A Polícia Federal descreveu, em relatório obtido pelo O Estado de S. Paulo, o estilo de vida de André Gonçalves Mariano, identificado pelos investigadores como líder de um esquema de corrupção envolvendo contratos na área da Educação. De acordo com a PF, o empresário comandava fraudes em licitações para fornecer material didático a diversas prefeituras paulistas, acumulando patrimônio considerado incompatível com sua atuação formal.
A apuração atinge também Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula da Silva, e menciona Kalil Bitar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Os investigadores afirmam que Carla, atuando sobretudo em Brasília, ajudava a destravar recursos do Ministério da Educação em favor da empresa de Mariano, a Life Tecnologia Educacional. Na agenda apreendida pela PF, o nome de Carla aparece ao lado da palavra “Nora”, referência ao antigo parentesco com Lula. Todos permanecem sob investigação, e as defesas negam qualquer irregularidade.
Imóveis e reformas milionárias
Segundo o relatório, Mariano adquiriu pelo menos quatro imóveis de alto padrão entre 2023 e 2025, totalizando dezenas de milhões de reais. Entre as propriedades estão dois apartamentos em Piracicaba, avaliados em R$ 4,7 milhões e R$ 4,2 milhões, cada um com reformas orçadas em cerca de R$ 3 milhões. A PF também cita um imóvel em Maringá, no qual foram gastos R$ 1,5 milhão apenas em mobília e eletrodomésticos.
Outro ponto destacado é a compra de um apartamento de luxo em São Paulo, próximo ao Jockey Club, por R$ 10,7 milhões, posteriormente bloqueado pela Justiça.
Frota de carros de luxo e gastos com vinhos
A investigação mostra que o empresário mantinha uma frota de veículos de alto valor, registrada em nome da Life Tecnologia Educacional, incluindo modelos BMW, Porsche e outros importados. O Estadão informa que Mariano comprou uma Mercedes AMG GT 63 S por R$ 1,7 milhão e chegou a alugar uma Lamborghini Huracan durante uma viagem aos Estados Unidos em 2024.
O relatório destaca ainda gastos elevados com vinhos raros, alguns ultrapassando R$ 3 mil por garrafa. Há registros de compras superiores a R$ 100 mil em poucos dias. Documentos apontam que Mariano presenteava secretários municipais envolvidos no esquema, incluindo um rótulo argentino de quase R$ 3 mil dado a um deles.
A PF afirma que o empresário usava o termo “garrafas” como código para repasses de dinheiro vivo ao operador financeiro. Em mensagens apreendidas, um pedido de “1.500 garrafas” equivaleria a R$ 1,5 milhão em espécie.
Articulação política e agendas em Brasília
Diálogos analisados pela PF indicam que Mariano e aliados viajaram a Brasília para reuniões no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Entre os presentes estava o secretário de Educação de Hortolândia (SP), preso na operação. O FNDE informou que todas as agendas da presidência são públicas e negou qualquer consequência administrativa após os encontros.
A Operação Coffee Break, que investiga o grupo, reacendeu debates sobre a recorrência de casos de corrupção envolvendo pessoas próximas ao presidente Lula. A presença de uma ex-nora e de um ex-sócio de seu filho entre os investigados reacende críticas sobre vulnerabilidades em estruturas públicas, especialmente em áreas sensíveis como a Educação.
Prisão preventiva e continuidade das investigações
A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de Mariano ao avaliar que ele poderia seguir operando o esquema caso permanecesse em liberdade, além de oferecer risco de destruição de provas. O relatório da PF aponta práticas como pagamento de propinas, manipulação de licitações e uma rede de influência mantida por anos.
As investigações continuam com análise de documentos, contratos e movimentações financeiras que, segundo a PF, reforçam indícios de um mecanismo de corrupção sustentado por tráfico de influência, desvio de recursos públicos e enriquecimento pessoal.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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