A Polícia Federal (PF) afirma ter encontrado indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, atuou de forma alinhada aos interesses do Banco Master entre 2022 e 2025. Em relatório obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo, a investigação aponta que o parlamentar demonstrou “engajamento com as pautas de interesse” do conglomerado financeiro.
Segundo a PF, a conduta do senador “não se manifesta em ato único e isolado, mas em padrão contínuo, sistemático e documentado de engajamento pessoal do Senador da República em pautas favoráveis ao conglomerado financeiro”.
Conversas e encontros
Em áudio transcrito pela PF, Jaques Wagner disse a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que precisava conversar para saber “como estão as coisas do banco”. O diálogo foi registrado em mensagem obtida pela investigação:
“Oi, Guga. Rapaz, eu tô dedicando o domingo aos netos, então eu tô desde umas dez e meia indo da casa de um pro outro… não vai dar pra gente ir não. Vamos marcar outra hora… agora, se estiver em Brasília, vamos marcar que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco… quero lhe passar como é que estão as questões da eleição”, disse o senador.
O empresário respondeu por escrito: “Vou estar em bsb amanhã à noite. Vamos encontrar sim. Você diz o local e hora. Abração”. A PF cita que as conversas analisadas indicam a marcação de diversos encontros em Brasília para tratar de temas de interesse do Master.
Emenda sobre o FGC
De acordo com a investigação, na época das conversas tramitava no Senado uma proposta que aumentaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O projeto, apresentado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), beneficiaria diretamente o Master, que enfrentava uma crise de liquidez.
Após uma reunião no gabinete de Wagner, Augusto Lima encaminhou ao senador informações detalhadas sobre a proposta. A PF afirma que o material reforça diálogos já encontrados no celular de Daniel Vorcaro, dirigente do banco.
Para os investigadores, a “sequência de eventos” — que inclui contatos sigilosos com Vorcaro, repasse do número pessoal do senador ao banqueiro, chamada imediata após a publicação da emenda e encontros presenciais — configura um “padrão de acompanhamento direto, pelo senador Jaques Wagner, de pauta legislativa de interesse do grupo investigado”.
Supostas vantagens indevidas
Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de ter recebido propinas do Banco Master, que incluiriam:
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Um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões;
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Um repasse de R$ 3,5 milhões a uma empresa pertencente à esposa de seu enteado;
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Ingressos para shows da cantora Taylor Swift (um na Califórnia e outro em São Paulo);
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Viagens no jatinho particular de Augusto Lima.
O que diz a defesa
Ao jornal O Estado de S.Paulo, a defesa de Jaques Wagner afirmou que não houve atuação ou intermediação do parlamentar envolvendo projetos do Master e que as conversas citadas na investigação têm caráter estritamente pessoal. O senador declarou ainda que sua atuação no Senado é pautada pelo interesse público e pela defesa do consumidor.
A defesa de Augusto Lima afirmou que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei”, “com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
Créditos (Imagem de capa): Foto: Carlos Moura/Agência Senado
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