A Petrobras vem carregando um volume crescente de multas ambientais não quitadas, segundo levantamento divulgado pelo portal UOL. A estatal discute penalidades que se arrastam por quase duas décadas, ao mesmo tempo em que novos autos continuam sendo analisados pelo Ibama — cenário que levanta dúvidas sobre a capacidade de fiscalização e a postura da companhia diante das sanções.
Os processos em aberto somam mais de R$ 777 milhões, distribuídos em infrações de diferentes períodos e impactos ecológicos. Embora o Ibama tenha aplicado R$ 1,15 bilhão em autuações ambientais ao longo dos últimos vinte anos, apenas R$ 267,8 milhões foram efetivamente pagos — menos de um quarto do total.
Punições vão de danos à fauna a falhas em pesquisas sísmicas
Entre os casos que nunca foram encerrados está uma multa simbólica de R$ 15 mil, aplicada em Sergipe por danos ao ciclo reprodutivo da tartaruga-oliva. Mesmo com valor irrisório comparado às cifras milionárias da Petrobras, o processo se arrasta há duas décadas sem quitação.
Na outra ponta, a estatal enfrenta sanções recentes por descumprimento de condicionantes em operações de pesquisa sísmica — exatamente o tipo de atividade que planeja expandir na Margem Equatorial, região alvo de forte disputa ambiental.
Em fevereiro, a empresa recebeu nova multa de R$ 404 mil relacionada a estudos nos campos de Roncador e Albacora Leste, no Espírito Santo.
Para ambientalistas, o conjunto de infrações pendentes mostra que, sem pagamento e sem solução, a eficácia da fiscalização não se concretiza.
Petrobras nega irregularidades e afirma seguir padrões internacionais
Em nota enviada ao portal, a Petrobras reiterou compromisso com padrões socioambientais e declarou que suas operações podem ocorrer de forma integrada à preservação da fauna marinha. A estatal afirma comunicar imediatamente às autoridades qualquer anomalia operacional e defende o direito de contestar multas consideradas improcedentes.
A narrativa, porém, contrasta com o acúmulo de autuações abertas, alguns com décadas de atraso — justamente no momento em que a Petrobras pressiona pelo avanço de projetos na Margem Equatorial, área estrategicamente relevante e ambientalmente sensível.
Debate se intensifica em meio à pressão global por redução de combustíveis fósseis
A discussão sobre o passivo ambiental da Petrobras ganha ainda mais relevância porque ocorre no mesmo período em que organismos internacionais reforçam a urgência de reduzir o uso de combustíveis fósseis — tema central da COP30, realizada recentemente.
A combinação de multas não pagas, tentativas de expansão em regiões delicadas e a resistência a algumas autuações alimenta críticas sobre a real prioridade da estatal em relação à preservação ambiental.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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