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Segunda-feira, 27 de Julho 2026
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Paraguaios acusam Lula de “distorcer a história” em fala sobre a guerra de 1864

Parlamentares acusam presidente brasileiro de "distorcer a história" após discurso sobre o conflito durante evento em São Paulo

Paraguaios acusam Lula de “distorcer a história” em fala sobre a guerra de 1864
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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai provocou forte repercussão no país vizinho. Deputados e senadores paraguaios criticaram o presidente brasileiro após ele afirmar, durante evento realizado na última sexta-feira (24), que o conflito começou quando o Paraguai "decidiu invadir" o Brasil.

As críticas partiram de parlamentares da situação e da oposição, que acusaram Lula de simplificar um dos episódios mais marcantes da história paraguaia e de ignorar acontecimentos que antecederam o conflito.

Presidente da Câmara do Paraguai reage

Entre as manifestações mais contundentes está a do presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, do Partido Colorado.

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Em comunicado divulgado neste domingo (26), o parlamentar afirmou que Lula tratou com "demasiada leveza" aquele que considera "o maior genocídio do continente".

"Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente", declarou.

Latorre sustentou que a Guerra da Tríplice Aliança teve início após a intervenção militar do Império do Brasil no Uruguai, em 1864, e lembrou que o conflito devastou o Paraguai.

Em tom crítico, também fez referência a uma declaração anterior de Lula sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia.

"Você já disse uma vez que iria acabar com a guerra na Ucrânia 'com uma cervejinha'. Hoje, volta a falar de forma leviana sobre conflitos armados na América. Se suas 'jabuticabas' acabaram, podemos te enviar algumas. Nós conhecemos o verdadeiro valor da paz porque a pagamos com nosso sangue."

O que Lula disse

A fala do presidente ocorreu durante visita à fábrica da Avibras, em Jacareí (SP), onde defendeu investimentos na indústria de defesa e o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras.

Segundo Lula, o Brasil precisa manter capacidade de defesa para garantir a paz.

"Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos."

Durante o discurso, o presidente afirmou ainda que o cenário internacional exige que o país mantenha suas Forças Armadas preparadas diante da existência de "loucos pelo mundo querendo fazer guerra".

Congresso paraguaio critica declaração

A reação não ficou restrita ao presidente da Câmara. Parlamentares de diferentes partidos também rebateram as declarações.

O deputado Rubén Rubín, do Hagamos, afirmou que Lula tenta reescrever a história.

"Um povo que esquece sua história permite que outros a reescrevam conforme lhes convém. E é exatamente isso que Lula tenta fazer."

Já a senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, disse que a declaração reproduz uma visão histórica marcada pelo imperialismo.

Segundo ela, o discurso representa "resquícios do imperialismo que tentam ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio sobre o Paraguai".

O senador e historiador Eduardo Nakayama, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), também criticou o presidente brasileiro. Para ele, Lula deixou de mencionar a intervenção militar brasileira no Uruguai, apontada por diversos estudos históricos como um dos fatores que antecederam a guerra.

Contexto histórico

A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870 e envolveu o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.

O conflito é considerado o mais sangrento da história da América do Sul. Historiadores apontam que sua origem envolveu uma combinação de disputas territoriais, interesses geopolíticos e a intervenção do Império do Brasil na guerra civil uruguaia.

Após esse episódio, o governo paraguaio apreendeu o navio brasileiro Marquês de Olinda e, posteriormente, invadiu a então província de Mato Grosso. Os acontecimentos culminaram na assinatura do Tratado da Tríplice Aliança e no prolongado conflito que terminou em 1870, deixando profundas consequências para todos os países envolvidos, especialmente para o Paraguai.

Créditos (Imagem de capa): Foto: Ricardo Stuckert

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