O casal preso no estado de Michigan, nos Estados Unidos, acusado pela morte do próprio filho, pode pegar prisão perpétua. Damien O'Brien, de 40 anos, e Jessica O'Brien, de 41, foram denunciados após Casper O'Brien morrer em decorrência de uma doença cardíaca agravada pelo quadro de obesidade mórbida. O menino de apenas 7 anos pesava cerca de 116 quilos. Os pais da criança respondem por assassinato em segundo grau, tortura e três acusações de abuso infantil em segundo grau.
O casal está preso, sem direito à fiança, e volta ao tribunal em audiência marcada para quinta-feira (2). Se forem condenados pelos dois primeiros crimes aos quais respondem, eles podem ficar presos pelo resto da vida.
Em um comunicado, o advogado de Damien O'Brien, Elias Fanous, afirmou que seria "prematuro comentar as alegações e acusações que o Sr. O'Brien enfrenta".
“Como em todos os casos criminais, o Sr. O'Brien é presumido inocente até que sua culpa seja comprovada além de qualquer dúvida razoável em um tribunal”, disse Fanous em nota recebida pelo jornal The New York Times.
A advogada de Jessica O'Brien, Tracey Guisbert, disse que casos como esse tendem a "se desenvolver lentamente" e que, portanto, era muito cedo para comentar. "Esta é uma situação trágica", acrescentou ao veículo norte-americano.
A morte de Casper ocorreu em novembro de 2025, quando ele passou mal em casa, onde vivia com os pais e uma irmã mais nova. O serviço de atendimento de urgência foi chamado, equipes estiveram no endereço, mas não conseguiram salvá-lo.
O laudo apontou como causa da morte uma cardiomiopatia dilatada, doença que compromete o músculo cardíaco, tendo a obesidade mórbida como fator contribuinte. Aos 7 anos, o menino de 1,27 metro de altura atingiu 116 kg. Os investigadores afirmam que a criança estava completamente imóvel, sofria com escaras, lesões na pele e outros problemas de saúde decorrentes da negligência prolongada dos pais.
— Este foi um caso triste e horrível envolvendo a negligência gratuita e intencional de dois pais em relação ao cuidado, bem-estar e necessidades médicas do filho — disse o promotor do Condado de Genesee, David Leyton, à revista People.
A Promotoria do Condado de Genesee acompanha o caso e tem participado das investigações, que apontaram que o menino chegou a esse estado de saúde após um período prolongado de negligência dos pais. Apesar de ter plano de saúde, ele era privado até mesmo de consultas regulares, como visitas ao pediatra e nutricionista.
Casper foi visto pela última vez por um médico de atenção primária em 12 de fevereiro de 2024, quando foi diagnosticado com tosse aguda, congestão na garganta e “doença metabólica”, de acordo com o relatório da autópsia que o NYT teve acesso.
Na época desta consulta, o menino pesava um pouco mais de 47 kg, o que significa que ele ganhou aproximadamente 68 quilos em menos de dois anos. Os investigadores também descobriram que Casper passava o dia dentro de casa, sem estímulo para praticar qualquer atividade física, principalmente em cima da cama que dividia com outras pessoas da família. Ele não tinha acompanhamento nutricional e recebia uma dieta composta principalmente de batatas fritas e salgadinhos industrializados. Ainda eram ofertados suco de maçã e água com gás saborizada.
Ele chegou a ser encaminhado a um endocrinologista pediátrico, consulta que nunca aconteceu. O menino era autista não verbal e não tinha qualquer acompanhamento do transtorno. Ele não frequentava a escola.
Sujeira e acúmulo em casa
As condições da casa onde a família vivia, em Flint Township, também chamaram a atenção das autoridades. Policiais e equipes de emergência encontraram um imóvel tomado por lixo e sujeira, em uma situação descrita como de acumulação extrema. Havia tão pouco espaço para circulação que os socorristas tiveram dificuldade para acessar o menino. O único banheiro da residência tinha um vaso sanitário quebrado e cheio de fezes, segundo os relatos da investigação.
Casper dividia uma cama improvisada com os pais e a irmã de 5 anos. A menina também vivia em condições precárias e não frequentava a escola. As autoridades também não encontraram registros anteriores de atendimento do serviço de proteção à infância no local. As duas crianças tinham plano de saúde, mas não tinham acompanhamento médico, informaram veículos dos EUA.
Durante a coletiva sobre o caso, o promotor David Leyton classificou a situação como um exemplo de negligência extrema e deliberada. Ele afirmou que o casal chegou a telefonar para um veterinário por causa do cachorro da família na manhã em que Casper sofreu a parada cardíaca, mas não havia buscado assistência médica adequada para o filho ao longo dos anos. Para a Promotoria, o conjunto de omissões e maus-tratos justifica as acusações de assassinato, tortura e abuso infantil.
Damien e Jessica O'Brien permanecem presos e devem voltar ao tribunal na quinta-feira, 2 de julho. O casal não pode ganhar a liberdade por meio de fiança.
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