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Domingo, 07 de Junho 2026
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O que diz o novo decreto da Igreja Católica sobre sexo no casamento

Decreto do papa Leão XIV defende a monogamia e diz que sexo vai além da procriação

O que diz o novo decreto da Igreja Católica sobre sexo no casamento
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Um novo decreto da Igreja Católica atualiza orientações sobre sexo no casamento para os 1,4 bilhão de católicos do mundo. O documento, aprovado pelo papa Leão XIV, defende que as relações sexuais não se limitam apenas à procriação, mas devem ser uma “união exclusiva do matrimônio”, em uma defesa das relações monogâmicas.

Assinada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé (o antigo Tribunal do Santo Ofício) e publicada em italiano no site oficial, a diretriz afirma que a relação sexual dentro de um casamento também serve para “enriquecer e fortalecer a união única e exclusiva e o sentimento de pertencimento mútuo” entre um homem e a mulher.

A nota doutrinal divulgada pelo Vaticano foi motivada, principalmente, pela questão da poligamia na África — continente que apresenta o maior crescimento no número de católicos da atualidade — , inclusive entre membros da Igreja Católica, onde um homem se casa com mais de uma mulher.

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No texto, a monogamia é apresentada como garantia de que a sexualidade se desenvolve no reconhecimento do outro com quem partilha a vida inteiramente, e não como um objeto de uso. “A questão está intimamente ligada à finalidade unitiva da sexualidade, que não se limita a assegurar a procriação, mas contribui para enriquecer e fortalecer a união única e exclusiva e o sentimento de pertencimento mútuo”, afirma a nota.

O documento aprofunda o conceito de caridade conjugal, que é o amor sobrenatural que eleva o vínculo matrimonial.

“A caridade – incluindo a caridade conjugal – é uma união afetiva, entendendo-se aqui por “afetiva” algo mais do que sentimentos e desejos: implica um vínculo afetivo entre quem ama e a coisa amada: na medida em que quem ama considera a pessoa amada como uma só consigo”.
 
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“Busca excessiva por sexo”

O novo decreto da Igreja Católica também faz um alerta sobre a “busca excessiva por sexo”. O documento diz que não é possível negar que nas últimas décadas, “no contexto do individualismo consumista pós-moderno”, surgiram diversos problemas que são originados “da busca excessiva e descontrolada pelo sexo ou da simples negação da finalidade procriativa da sexualidade”.

Com isso, o decreto alerta para o risco do fim da “troca emocional” que deveria existir em uma relação sexual dentro de um casamento.

“Uma característica das últimas décadas é a negação explícita da finalidade unitiva da sexualidade e do próprio casamento. Isso ocorre principalmente devido à sensação de ansiedade, de estar constantemente ocupado, de querer mais tempo livre para si mesmo, de estar constantemente obcecado por viajar e explorar outras realidades. Consequentemente, o desejo de troca emocional, pelas próprias relações sexuais, mas também pelo diálogo e pela cooperação, desaparece, sendo tudo isso visto como estressante”, diz o documento.

O documento afirma que a verdadeira caridade entre cônjuges envolve também a abertura à fecundidade, mas ressalta que cada relação sexual não precisa ter como objetivo direto a procriação. A união sexual deve permanecer aberta à vida, mas não condicionada a ela em todos os atos.

A partir disso, o texto destaca três situações:

  1. casais que, por razões biológicas, não podem ter filhos;
  2. casais que não buscam deliberadamente uma relação sexual com finalidade reprodutiva;
  3. o uso dos períodos naturais de infertilidade, que pode ajudar tanto no planejamento familiar quanto na escolha do melhor momento para receber um filho. O documento diz ainda que esses períodos podem fortalecer o afeto e a fidelidade entre os cônjuges, expressando um amor autêntico.

Embora não seja uma novidade absoluta dentro da tradição católica, essa abordagem ganha destaque no novo texto, que cita não apenas autoridades religiosas, mas também escritores como Pablo Neruda e Eugenio Montale, além de reflexões de Kierkegaard sobre o matrimônio. O contraste aparece diante de orientações antigas da Igreja Católica — especialmente dos séculos XVI e XVII — que pregavam maior contenção sexual mesmo entre casados.

 

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Elisabetta Trevisan – Vatican Media via Vatican Pool/Getty Images

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