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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Notícias / Brasil

Número de moradores de rua no Brasil dobra em menos de dois anos, aponta levantamento

Levantamento da UFMG aponta salto de 160 mil para 345 mil pessoas vivendo nas ruas desde o anúncio do Plano Ruas Visíveis, lançado em dezembro de 2023

Número de moradores de rua no Brasil dobra em menos de dois anos, aponta levantamento
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Em dezembro de 2023, o governo federal apresentou o Plano Ruas Visíveis, anunciado como um marco no enfrentamento da miséria urbana. O programa previa cerca de R$ 1 bilhão em investimentos e a articulação de 11 ministérios em torno de sete eixos, que iam de assistência social e segurança alimentar a habitação, saúde, trabalho e renda. A proposta incluía ampliação de serviços de acolhimento, criação de cozinhas solidárias, construção de unidades habitacionais e realização de um censo nacional da população em situação de rua.

Apesar da promessa e da mobilização, o contingente de brasileiros que vivem nas ruas aumentou significativamente. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (UFMG), eram cerca de 160 mil moradores de rua no momento do anúncio do plano. Em 2025, o número chegou a 345 mil — mais que o dobro em pouco mais de um ano.

O crescimento não foi homogêneo: o Sudeste concentra mais de 60% dessa população, enquanto o Norte responde por menos de 5%. A capital paulista, sozinha, abriga cerca de 100 mil pessoas, mais que o triplo do registrado há dez anos.

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Top 5 Estados com mais moradores de rua (2025):

  • São Paulo – 146.940

  • Rio de Janeiro – 31.693

  • Minas Gerais – 31.410

  • Bahia – 15.045

  • Paraná – 13.854

O perfil demográfico aponta que 85% dos moradores de rua são homens, 70% são negros, quase 10 mil têm menos de 17 anos e 32 mil são idosos com mais de 60 anos. A maioria não está em abrigos, vivendo em calçadas, praças, viadutos ou ocupações improvisadas.

A UFMG e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) atribuem o aumento a fatores como crise econômica e inflação, déficit habitacional, demora na execução de políticas sociais e o agravamento da miséria no período pós-pandemia.

Créditos (Imagem de capa): Fernando Frazão/Agência Brasil

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