Durante entrevista ao SBT News (vídeo no final da matéria), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que o Congresso Nacional precisa recuperar protagonismo nas decisões políticas do país e afirmou que há atualmente um desequilíbrio entre os Poderes da República.
Segundo o parlamentar, a harmonia institucional deixou de existir e o Legislativo passou a ser subjugado por outras esferas.
“A Câmara e o Senado precisam retomar o seu poder. Antes se falava muito em harmonia entre os Poderes, mas hoje isso não existe mais. O Congresso está subjugado ao Judiciário e, em alguns momentos, também ao Executivo”, afirmou.
Para Nikolas, a dificuldade do Parlamento em legislar não está ligada à falta de competência ou de vontade política dos deputados e senadores, mas a um desbalanceamento institucional que concentra decisões em apenas um Poder.
“Não estamos conseguindo legislar porque todas as decisões do Brasil estão passando por apenas um Poder”, disse.
Críticas ao STF e caso das redes sociais
Nikolas também fez duras críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente durante o período eleitoral de 2022. O deputado relembrou a suspensão de suas redes sociais no segundo turno das eleições, episódio que classificou como arbitrário.
“Até hoje, só duas pessoas sabem o motivo da derrubada das minhas redes sociais: Alexandre de Moraes e Deus. Ninguém mais teve acesso ao processo, e eu só retomei minhas redes sociais por conta de uma pressão política. Afinal de contas, ficaria muito feio o deputado mais votado do Brasil não ter suas redes sociais quando fosse empossado”, declarou.
Eleições de 2026 e papel do Congresso
Ao comentar o cenário político para as eleições presidenciais de 2026, Nikolas destacou que o foco do eleitorado deve estar, prioritariamente, na escolha de deputados e senadores.
“O Brasil precisa se atentar muito à eleição de deputados e senadores, porque só assim conseguimos fazer uma mudança gradual”, afirmou. Segundo ele, somente com um Congresso forte é possível promover mudanças estruturais, inclusive no Supremo Tribunal Federal e no pacto federativo.
Nikolas também criticou a uniformização de políticas públicas em um país com realidades regionais tão distintas.
“Hoje existem vários Brasis dentro do Brasil, com realidades muito diferentes. Cada região tem suas próprias deficiências, mas tratamos tudo da mesma forma. Isso acaba sendo deficitário para o país”, avaliou.
PL da Dosimetria e atos de 8 de janeiro
Durante a entrevista, o deputado defendeu a tramitação do Projeto de Lei da Dosimetria, que propõe a revisão das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Para Nikolas, o projeto não representa o cenário ideal, mas seria a alternativa possível diante da atual correlação de forças institucionais.
“Nós sabemos que isso não é o ideal, mas é o possível. A anistia já foi concedida a pessoas que cometeram crimes de guerra, que saquearam bancos, que explodiram carros. E agora a esquerda não está dando a mesma clemência para pessoas que pegaram um batom e escreveram ‘perdeu, mané’ em uma estátua”, afirmou.
Segundo ele, a proposta pode reduzir o impacto das condenações sobre famílias dos presos, permitindo progressão de regime e retorno à convivência familiar.
“Com a dosimetria, essas pessoas poderão voltar para casa, ir para o regime aberto. Para um pai, uma mãe de família, para um filho que pode dormir em casa, ir à escola, levar o filho à igreja, isso é muito importante”, disse.
Nikolas ainda criticou o que chamou de seletividade no discurso sobre direitos humanos e acusou setores da esquerda de ignorarem o sofrimento dos condenados por razões ideológicas.
“Essas pessoas são brasileiras como todos nós. A clemência que durante anos a esquerda pediu em nome dos direitos humanos está sendo ignorada agora. Não tenho dúvidas de que, se essas pessoas estivessem vestidas de vermelho, já estariam soltas. Mas estavam de verde e amarelo”, concluiu.
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