Muita gente acredita que a falta de vitamina D acontece apenas porque toma pouco sol. Mas essa é apenas uma parte da história.
Algumas doenças, certos medicamentos, o envelhecimento e a obesidade também podem favorecer a deficiência de vitamina D, inclusive em pessoas que mantêm hábitos considerados saudáveis.
O problema é que, na maioria das vezes, os níveis baixos de vitamina D não provocam sintomas logo no início. Por isso, muitas pessoas só descobrem a deficiência durante uma investigação médica ou após a realização de exames.
O que causa a falta de vitamina D?
A principal causa é a baixa produção de vitamina D pela pele devido à pouca exposição à radiação UVB do sol. No entanto, ela não explica todos os casos.
Em algumas pessoas, o problema está na dificuldade de absorver ou utilizar corretamente esse nutriente.
Veja os principais fatores envolvidos.
1 - Pouca exposição ao sol
A vitamina D é produzida pela pele quando ela é exposta à radiação UVB do sol.
Quem passa a maior parte do dia em ambientes fechados, sai pouco ao ar livre ou mantém quase todo o corpo coberto por roupas pode produzir menos vitamina D ao longo do tempo.
Outra dúvida comum é sobre o protetor solar. Embora ele reduza a passagem da radiação UVB, os estudos realizados em condições reais mostram resultados variados sobre seu impacto nos níveis de vitamina D.
Por isso, especialistas continuam recomendando seu uso para proteger a pele e prevenir o câncer de pele.
2 - Pele mais pigmentada
Pessoas com pele mais escura podem produzir vitamina D mais lentamente porque a maior quantidade de melanina (pigmento que dá cor à pele) reduz a passagem dos raios UVB necessários para esse processo.
Isso não significa que toda pessoa de pele escura terá deficiência de vitamina D.
No entanto, dependendo da rotina e do tempo de exposição ao sol, algumas podem precisar de mais tempo ao ar livre para produzir a mesma quantidade da vitamina que pessoas de pele mais clara.
3 - Doenças que interferem na absorção ou no metabolismo
Nem sempre o problema está no sol. Algumas doenças dificultam a absorção da vitamina D no intestino ou alteram a forma como ela é processada pelo organismo.
Entre elas estão:
- doença celíaca;
- doença de Crohn e outras doenças inflamatórias intestinais;
- algumas cirurgias bariátricas;
- doenças graves do fígado
- doença renal crônica.
Nesses casos, mesmo uma alimentação equilibrada e uma rotina com exposição ao ar livre podem não ser suficientes para manter níveis adequados.
4 - Obesidade
Pessoas com obesidade apresentam deficiência de vitamina D com mais frequência do que a população geral.
Uma das explicações é que parte da vitamina fica distribuída no tecido adiposo, reduzindo sua disponibilidade na circulação.
Ainda assim, corrigir a deficiência não provoca emagrecimento por si só, nem significa que a vitamina D seja a causa do excesso de peso.
5 - Alguns medicamentos
Certos medicamentos podem reduzir a absorção da vitamina D ou alterar seu metabolismo. Isso pode acontecer com alguns anticonvulsivantes, corticoides e outros tratamentos específicos.
O risco depende do medicamento utilizado, da dose e do tempo de uso. Por isso, a avaliação deve sempre ser individualizada.
6 - Envelhecimento
Com o passar dos anos, a pele perde parte da capacidade de produzir vitamina D quando exposta ao sol.
Além disso, muitas pessoas idosas passam menos tempo ao ar livre e convivem com outras condições que favorecem a deficiência.
7 - Alimentação pobre em vitamina D
Poucos alimentos são naturalmente ricos em vitamina D. Entre as principais fontes estão salmão, sardinha, atum, gema de ovo, fígado bovino e alguns cogumelos expostos à luz ultravioleta.
Além deles, alguns produtos industrializados recebem vitamina D durante a fabricação, como certos leites, bebidas vegetais, iogurtes, margarinas e cereais matinais. A disponibilidade desses alimentos varia conforme a marca e o fabricante.
Mesmo assim, a alimentação nem sempre consegue suprir sozinha as necessidades do organismo, principalmente quando existem outros fatores que dificultam a produção ou o aproveitamento da vitamina D.
Quem corre maior risco de ter deficiência?
Alguns grupos apresentam maior probabilidade de desenvolver deficiência de vitamina D.
É o caso de idosos, pessoas com obesidade, pacientes com doenças intestinais, renais ou hepáticas, quem passa pouco tempo ao ar livre e usuários de determinados medicamentos.
Ter um desses fatores não significa, necessariamente, que exista deficiência, mas aumenta a chance de ela ocorrer e pode justificar uma avaliação médica quando houver indicação clínica.
A falta de vitamina D provoca sintomas?
Nem sempre. Muitas pessoas convivem com níveis baixos da vitamina sem perceber qualquer alteração.
Quando a deficiência é mais intensa ou prolongada, podem surgir sintomas como:
- fraqueza muscular;
- dores musculares;
- dor nos ossos;
- maior fragilidade óssea.
Como esses sinais também podem estar relacionados a outras doenças, eles não são suficientes para confirmar o diagnóstico.
Como confirmar a deficiência?
O diagnóstico não é feito apenas pelos sintomas.
Quando há suspeita clínica ou fatores de risco importantes, o médico pode solicitar o exame de sangue que mede a 25-hidroxivitamina D, considerado o mais indicado para avaliar os estoques desse nutriente.
O resultado deve ser analisado junto com a história clínica e outros exames, quando necessário. Por isso, um valor isolado nem sempre é suficiente para confirmar deficiência ou indicar tratamento.
Como é feito o tratamento da deficiência?
Quando a deficiência é confirmada, o tratamento pode incluir mudanças na alimentação, maior ingestão de alimentos ricos em vitamina D e, em alguns casos, suplementação.
A necessidade de suplementos e a dose adequada variam de uma pessoa para outra. Por isso, o tratamento deve ser definido após avaliação médica.
Evite tomar vitamina D por conta própria. O excesso desse nutriente pode aumentar os níveis de cálcio no sangue e provocar complicações, como cálculos renais e outros problemas de saúde.
Fonte/Créditos: Terra
Créditos (Imagem de capa): Foto: SaúdeLAB
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