O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que gostaria de ser “relator de tudo” ao comentar as críticas sobre a diferença de prazos em investigações de grande repercussão.
A declaração ocorreu durante o evento “Leis e Likes”, realizado no STF com blogueiros e influenciadores digitais. O humorista Mizael Silva perguntou ao magistrado por que o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro avança mais rapidamente que a investigação sobre a fraude bilionária no INSS.
Moraes respondeu:
“Primeiro, porque eu não tenho nada a ver com o processo do INSS. Eu não sou o relator. Teve uma fake news, ‘ele não faz nada’. Mas não sou o relator de tudo no mundo. Gostaria até de ser o relator de tudo, mas não sou.”
Moraes aponta diferenças entre os casos
O ministro destacou que os dois processos não podem ser comparados, já que envolvem instâncias e responsabilidades distintas. Ele citou o papel da Polícia Federal, responsável pela investigação, e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decide sobre denúncias.
“Entre a investigação, a denúncia e o processo, vamos completar quase dois anos. A questão do INSS não tem seis meses. E as pessoas colocam na desinformação que é o mesmo prazo. Não é que um [processo] está mais rápido que o outro. Uma coisa é totalmente diferente da outra.”
Críticas de perseguição política e polarização
Moraes também abordou as acusações de perseguição política que recaem sobre o STF. Em tom de metáfora, o humorista comparou a Corte a um “pai” e os brasileiros a “filhos”, questionando a percepção de favoritismo.
O ministro rebateu:
Existem vários motivos e não vou ser aqui arrogante o suficiente para dizer que eu sei todas as razões. Essa que você levantou [a parcialidade] é outro fruto da desinformação.”
STF busca aproximação com a sociedade
O evento “Leis e Likes” foi organizado como tentativa de aproximar o STF do público, promovendo debates sobre temas jurídicos, legislação e comportamento digital.
A iniciativa ocorre em um momento de alta reprovação ao Judiciário: pesquisas recentes apontam que quase 50% dos brasileiros avaliam negativamente o desempenho da Corte, índice semelhante ao do Congresso Nacional e do governo Lula.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução