Em um intervalo de 10 anos, 1.707 meninas de até 14 anos, no Distrito Federal, viram a brincadeira de boneca dar lugar a obrigações da vida materna. O número representa uma criança ou adolescente virando mãe a cada dois dias, segundo dados do DataSUS.
Elas são, em sua maioria, meninas inseridas em um contexto de vulnerabilidade e negligência, que tendem a largar a escola para a se concentrar em afazeres domésticos e a trabalhar na informalidade. A reportagem colheu relatos de profissionais que acompanham garotas nessas situações delicadas.
Meninas ingênuas que começam a fantasiar uma família perfeita, mas sem estrutura. Na prática, uma criança cuidando de outra, tendo de assumir a responsabilidade sozinha. Em 88% dos casos, são meninas mães-solo. Quando pedem ajuda, ouvem frases prontas e repetidas como “não foi bom fazer? Agora aguenta” e “criança que faz criança não é mais criança”. Meninas que já não vislumbravam um futuro, que repetem histórias dos pais e que tendem a oferecer ao filho a sequência de sua infância.
Os dados são da década de 2013 a 2023, disponíveis na plataforma do Ministério da Saúde. Apesar do dado alarmante, há uma diminuição, ao longo dos anos, de mães com até 14 anos. Em 2013, foram 236. Já em 2023, o número estava em 99 casos. Informações preliminares levantados pela Fundação Abrinq apontam para 80 casos em 2024.
O DataSus fornece dados apenas de bebês nascidos vivos, o que aponta um número maior ainda de meninas grávidas, já que desconsidera os natimortos e aborto.
São casos em que elas teriam direito ao aborto legal, já que até essa idade, toda relação sexual é considerada estupro de vulnerável. As vítimas, por sua vez, raramente reconhecem a violência sofrida.
Fonte/Créditos: Metrópoles
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