Quando Joana chegou na nova casa, após a adoção, em junho de 2025, um comportamento imediatamente chamou atenção das mães, Yara Laís Teixeira, 24, e Laís Tomio, 29, do Vale do Itajaí (SC): ela só conseguia dormir em pé. “Desde o primeiro dia, ela já dormia em pé”, conta Yara, em entrevista à CRESCER. “Não aceitava ficar no colo, nem com a gente na cama, nem se deitar no berço”, acrescenta.
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No perfil do Instagram (@maes_poradocao), as duas compartilharam um vídeo mostrando o comportamento inusitado da pequena. Joana ficava em pé e só “caía” quando estava adormecida, muito cansada mesmo.
“Era muito traumatizada. Ela lutava até o fim para não dormir, com medo, com insegurança, com incerteza do amanhã”, diz a mãe. Hoje, com 3 anos, ela é a criança adotada mais recentemente por Yara e Laís, embora seja a segunda mais velha entre os irmãos, Kalebe, 5, Caio, 2, e Bruno, 1.
Nos primeiros dias, as mães tentaram diferentes estratégias para que a filha se sentisse confortável. Mas logo entenderam que a mudança precisaria acontecer no tempo dela. “Percebemos que teria de ser por ela mesma”, relata Yara.
A história de vida anterior à adoção não é compartilhada publicamente. “Nós não contamos a história dos nossos filhos antes da adoção, pois é algo extremamente privado e compete somente a eles contarem quando, e se, quiserem”, esclarece.
Mas o comportamento de dormir em pé durou entre dois e três meses. Aos poucos, Joana começou a aceitar a ideia de se deitar antes de pegar no sono. “Foi gradual. Primeiro ela aceitava encostar, depois se deitar já quase dormindo”, explica a mãe.
“Já ouvimos que uma criança adotada pode levar até 2 ou 3 anos para se sentir segura e adaptada de verdade”, pontua Yara. Apesar dos avanços, ela e Laís reconhecem que o processo ainda está em curso. “Hoje, acreditamos que ela já se sente mais segura, mas ainda não totalmente. A adoção dela é muito recente”, explica.
Nos primeiros meses, houve disputas por atenção, especialmente com Caio, que tem a mesma idade. “Eles brigavam bastante por acabarem disputando nossa atenção. Mas hoje são melhores amigos”, afirma a mãe.
Hoje, Joana já tem uma rotina estabelecida, que, aos poucos, ajuda a construir sua confiança, com previsibilidade. A pequena frequenta a creche pela manhã. Ao chegar em casa, tira o soninho da tarde, toma café, brinca até o jantar, depois toma banho, escova os dentes e dorme.
Neste primeiro ano, a família optou por priorizar o fortalecimento do vínculo familiar antes de iniciar acompanhamento psicológico. “Preferimos voltar totalmente ela para nossa família, a fim de criar conexão e segurança. Posteriormente, iremos colocá-la em atendimento”, explica Yara.
Segundo Yara, a presença constante nos momentos difíceis foi essencial. “Nos momentos em que ela não está bem emocionalmente, permanecemos ao lado dela. Isso foi mostrando que, não importava o que acontecesse, não iríamos deixá-la, isso fez diferença”, avalia.
Fonte/Créditos: Crescer
Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução/Instagram
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