A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), desencadeou uma escalada de violência em pelo menos sete estados do México. O narcotraficante foi morto durante uma operação das Forças Armadas na madrugada de domingo, em Tapalpa, no estado de Jalisco.
Considerado um dos criminosos mais procurados do mundo, El Mencho tinha recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos por informações que levassem à sua captura. O CJNG havia sido designado pelo Departamento de Estado americano como Organização Terrorista Estrangeira e Terrorista Global Especialmente Designado, sendo apontado por Washington como um dos principais responsáveis pela crise do fentanil que atinge os EUA.
Após a operação, confrontos e ataques foram registrados em diversos estados. Em Guadalajara, capital de Jalisco e uma das sedes da próxima Copa do Mundo, houve registros de disparos, veículos incendiados e pânico no aeroporto local. O governador Pablo Lemus Navarro pediu que a população permanecesse em casa diante da escalada de violência.
Segundo o Ministério da Defesa do México, El Mencho foi capturado com vida, mas gravemente ferido após militares reagirem a disparos feitos por integrantes do cartel. Ele e dois guarda-costas morreram durante o transporte aéreo para a Cidade do México. Quatro integrantes do CJNG foram mortos durante o confronto.
A operação contou com forças especiais do Exército, apoio aéreo da Força Aérea Mexicana e trabalho de inteligência do Centro Nacional de Inteligência e da Procuradoria-Geral da República. As autoridades apreenderam veículos blindados e armamento pesado, incluindo lançadores de foguetes com capacidade para derrubar aeronaves.
O governo mexicano confirmou que houve troca de informações com autoridades dos Estados Unidos no âmbito da cooperação bilateral.
A morte de El Mencho marca uma ruptura na estratégia de segurança adotada no país. Diferentemente do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, que defendia a política de “abraços, não balas”, a atual presidente Claudia Sheinbaum optou por uma postura de confronto direto contra o crime organizado. A ação também fortalece o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, apontado como um dos principais articuladores da ofensiva.
Analistas avaliam que ainda é cedo para medir o impacto da morte do líder do CJNG, mas alertam para possíveis retaliações do crime organizado. “Nos próximos dias, a população pode ficar no fogo cruzado”, afirmou o analista Pablo Cícero ao jornal espanhol El Mundo.
O México agora vive dias de tensão, enquanto as autoridades tentam conter a reação de uma das organizações criminosas mais poderosas do continente.
Créditos (Imagem de capa): Um ônibus usado como barricada por criminosos pega fogo no México após uma operação federal na qual tropas federais mataram o narcotraficante “El Mencho” - 22/02/2026 (Foto: REUTERS/Gabriel Trujillo)
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