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Sábado, 06 de Junho 2026
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Medicamento contra vermes pode ajudar a tratar câncer cerebral

Revisão de 22 estudos identificou que o mebendazol, usado para tratar vermes do intestino, pode ser promissor em nos tratamentos de câncer

Medicamento contra vermes pode ajudar a tratar câncer cerebral
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De acordo com uma revisão sistemática publicada em maio deste ano no British Journal of Clinical Pharmacology e coescrita por pesquisadores da Bond University, o mebendazol — medicamento antiparasitário utilizado para combater vermes intestinais — mostrou-se promissor em tratamentos de câncer cerebral.

Os pesquisadores identificaram que o remédio foi capaz de retardar o crescimento tumoral em testes realizados com animais em laboratório.

Nos ratos, o estudo identificou que a substância duplicou as taxas de sobrevivência e, quando combinada com sessões de radioterapia, deixou mais da metade dos animais livres de tumores por um longo período.

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Entre os cânceres cerebrais primários mais letais em humanos estão o glioblastoma, glioma difuso da linha média, meduloblastoma e meningioma. Todos esses, mesmo quando tratados com quimioterapia, radioterapia e cirurgia, têm índices de sobrevivência dos pacientes de apenas 20% por cinco anos.

Já no glioblastoma, que é a forma mais agressiva da doença, a média de sobrevida é de apenas 12 a 16 meses após o diagnóstico. “O câncer cerebral é um problema tão grande porque é muito difícil de tratar”, diz o pesquisador de câncer da Universidade Bond e um dos autores do artigo, Liam O’Callaghan, em comunicado.

Como funciona o mebendazol no tratamento de câncer

Indicado para tratar infecções intestinais por oxiúros, lombrigas e tricurídeos em humanos, o mebendazol é utilizado de 1 a 3 dias, dependendo do verme a ser tratado. A revisão dos 22 estudos examinou se a substância poderia combater tumores cerebrais.

Como resultado, as evidências laboratoriais mostraram que o medicamento ataca as células tumorais através de seis mecanismos distintos: interrompendo, portanto, a divisão das células cancerígenas; bloqueando a formação de novos vasos sanguíneos; frenando as mensagens químicas de crescimento tumoral e comprometendo o reparo do DNA que torna os tumores resistentes à radioterapia.

O’Callaghan destaca o mecanismo de ação do vermífugo nos tumores. “É muito interessante que o remédio parecesse agir nas células cancerígenas de várias maneiras diferentes, em vez de ir apenas por uma única via”, diz.

Além disso, o mebendazol também pode potencializar os efeitos da quimioterapia e da radioterapia.

Apesar das constatações, nos primeiros estudos analisados tanto em crianças quanto em adultos, as altas doses do medicamento se mostraram seguras. No entanto, as evidências de que a substância retarda ou reduz o câncer ainda são modestas, inconclusivas e inconsistentes.

“Temos bastante pesquisa em animais e linhagens celulares que parecem promissoras, mas os estudos em humanos ainda são bastante limitados”, diz o pesquisador.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Magnific

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