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Sábado, 18 de Abril 2026
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Master: defesa de Vorcaro quer acelerar delação de olho em liberdade

Advogados, no entanto, alertaram que perdão total para o banqueiro será praticamente impossível. Prisão domiciliar deve ser barrada no STF

Master: defesa de Vorcaro quer acelerar delação de olho em liberdade
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Os advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, têm pressa em fechar o acordo de delação premiada para tentar um habeas corpus o quanto antes para o banqueiro.

No entanto, segundo apurou o Metrópoles, eles o avisaram de que as chances de conseguir um perdão total na Justiça mesmo após a colaboração e a confissão e culpa são praticamente nulas.

A negociação para a delação é dura diante da quantidade de elementos probatórios que cercam o dono do Master e o material que ele terá de apresentar, além da pressão da sociedade diante do caso.

A defesa alertou o empresário de que vai precisar de uma grande colaboração dele para entregar os nomes de todos os envolvidos.

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Eles também devem esbarrar na resistência do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), pois os ministros tendem a manter a prisão preventiva e determinar que Vorcaro aguarde a sentença na cadeia.

Daniel Vorcaro e Banco Master

  • O banqueiro Daniel Vorcaro é o fundador e principal controlador do Banco Master, que cresceu rapidamente no mercado financeiro na última década.
  • O banco atraiu milhares de investidores oferecendo CDBs com juros acima do mercado, chegando a captar cerca de R$ 50 bilhões. Parte relevante desses recursos era aplicada em ativos de baixa liquidez, como precatórios e empresas em dificuldade, o que aumentava o risco da operação.
  • A PF identificou indícios de um esquema que incluía emissão de títulos sem lastro, operações simuladas e ocultação de recursos por meio de empresas intermediárias. As suspeitas apontam para uma estrutura organizada de fraude dentro do banco.
  • Diante da deterioração financeira e de infrações às regras do sistema, o Banco Central do Brasil (BC) decretou, em novembro de 2025, a liquidação da instituição, encerrando suas atividades e marcando o início da fase mais grave do caso.
  • No mesmo mês, Vorcaro foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
  • Posteriormente, foi solto sob a condição de uso de tornozeleira eletrônica, mas acabou sendo preso novamente em março deste ano durante uma nova fase da investigação.
  • As investigações passaram a apontar corrupção de autoridades, lavagem de dinheiro, invasão de sistemas e até planos de intimidação contra jornalistas.
  • Também surgiram indícios de que Vorcaro mantinha conexões com autoridades do BC, Congresso e Judiciário, o que ampliou o caso para além do âmbito financeiro e o transformou em uma crise de dimensão política e institucional.

A movimentação começou logo após a Segunda Turma da Corte formar maioria para manter a prisão de Vorcaro.

O dono do Master demitiu o então advogado Pierpaolo Bottini, que era contra a delação, e contratou o criminalista José Luís Oliveira Lima, o Juca, especialista em colaboração premiada.

Em 19 de março, o empresário foi transferido de helicóptero para uma cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

A transferência da Penitenciária Federal de Brasília para a carceragem da PF era uma das condições de Vorcaro para avançar no processo de delação.

Ele assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), indicando a intenção de fazer a delação.

Esta é a primeira vez no país que as duas instituições vão dividir uma colaboração. Entenda o passo a passo da delação aqui.

A defesa procurou a PF e a PGR para garantir que Daniel Vorcaro estaria disposto a fechar o acordo “sem poupar ninguém”. Em meio a forte pressão do Centrão – que tentava articular uma delação seletiva – os investigadores deixaram claro que não haveria espaço para “salvar algumas figuras”.

O grande volume de provas a serem apresentadas pelo possível delator e a dimensão da investigação – que pode derrubar autoridades dos Três Poderes e de diferentes espectros políticos – são os principais motivos apontados para que as instituições conduzam, juntas, a colaboração.

A expectativa pela delação aumentou depois do vazamento de mensagens que expõem o relacionamento próximo de Vorcaro com autoridades.

A PF faz a extração dos dados dos oito celulares do banqueiro para ter noção da dimensão dos crimes e de quem estaria envolvido.

Na prisão

Daniel Vorcaro tem pressionado a defesa para deixar logo a cadeia e esperar por seu julgamento em prisão domiciliar.

O dono do Master está preso preventivamente desde 4 de março. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

Depois de passar pela na Penitenciária Federal de Brasília, ele foi transferido para a Superintendência da PF, onde está alojado sozinho em uma cela comum.

Para firmar a delação, a lei exige que o delator entregue provas substanciais das declarações, como documentos, vídeos, fotos, gravações e outros materiais que possam corroborar as declarações dele. A consistência desse material é avaliada pelas instituições.

Com a delação, o dono do Banco Master poderá ter redução de pena em até dois terços — ou mesmo receber o perdão das autoridades.

O Metrópoles entrou em contato com a defesa do banqueiro para questionar sobre o acordo de delação, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto.

Delação

Segundo o advogado criminalista Alexandre Lourenço, caso Vorcaro não apresente provas suficientes, se omita ou minta na delação, pode ocorrer a rescisão do acordo ou a revisão dos benefícios concedidos ao colaborador.

“Em regra, isso não significa aumento automático da pena como punição adicional, visto que não existe essa previsão legal. O que tende a ocorrer é a perda total ou parcial dos benefícios prometidos no acordo, justamente porque a colaboração deixa de ser considerada integralmente eficaz”

A liberdade ou a manutenção da prisão dependem da situação cautelar concreta e de decisão judicial.

“É perfeitamente possível que o colaborador responda em liberdade e até conclua toda a colaboração fora da prisão, mas isso não decorre de um efeito automático da delação. Depende da avaliação do juiz sobre a necessidade, ou não, da prisão preventiva e das demais medidas cautelares”, diz Lourenço.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Arte/ Metrópoles

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