A Marinha do Brasil decidiu cancelar a tradicional Operação Formosa de 2025, medida tomada em conjunto com o Ministério da Defesa. Oficialmente, a justificativa apresentada é a necessidade de concentrar recursos na Operação Atlas — Armas Combinadas, que reunirá Exército, Marinha e Aeronáutica em um exercício de larga escala. Nos bastidores, entretanto, fontes militares confirmam que o cenário geopolítico e a pressão crescente dos Estados Unidos também pesaram na decisão.
De acordo com uma fonte do alto escalão da Força, a presença de tropas americanas no território nacional vinha causando “forte desconforto ao governo brasileiro”, em um momento de crise nas relações entre Brasília e Washington. “A orientação foi evitar agravar ainda mais o cenário e preservar o relacionamento estratégico das Forças Armadas do Brasil”, afirmou.
A decisão foi confirmada na última quarta-feira (20), após uma semana de discussões. A situação se intensificou quando a China desistiu de participar do exercício, alegando problemas administrativos, abrindo espaço para uma eventual reavaliação da participação americana. Em 2024, a Formosa marcou a primeira vez em que tropas dos EUA e da China treinaram lado a lado no Brasil, apesar da pressão contrária de Washington.
Além da questão diplomática, a limitação orçamentária foi determinante. Segundo fontes ligadas ao Ministério da Defesa, os cofres militares enfrentam um “cenário péssimo”, com recursos praticamente esgotados após agosto. “Até o final do ano só há verba para voos ministeriais”, revelou uma autoridade, destacando que o governo priorizou a Operação Atlas e o planejamento da COP 30.
A Operação Formosa, realizada desde 1988 no Planalto Central, é considerada o maior exercício do Corpo de Fuzileiros Navais, atraindo observadores estrangeiros e, mais recentemente, militares de outros países. Neste ano, os deslocamentos já iniciados serão redirecionados para a Operação Atlas, que deve mobilizar mais de 2 mil militares, 100 viaturas e oito helicópteros, com foco na defesa da Amazônia.
O cancelamento ocorre também em meio à escalada da presença militar dos Estados Unidos na América Latina. Mais de 4,5 mil marinheiros e fuzileiros americanos estão em operação no Caribe e no continente, sob justificativa de combate ao narcotráfico. O governo Trump, por sua vez, intensificou pressões contra o Brasil com tarifas, sanções financeiras e críticas ao Judiciário, ao mesmo tempo em que classificou o Cartel de los Soles, ligado ao regime de Nicolás Maduro, como organização terrorista global.
“Foi uma decisão consciente, para evitar que as coisas cresçam além do necessário”, resumiu uma fonte militar sobre o cancelamento da Formosa.
Créditos (Imagem de capa): O Globo