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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
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Marcha Global pelo Clima tem público fiel debaixo do calorão, velório de combustíveis fosseis e fala de ministras

Ato durou cerca de três horas e reuniu em torno de 70 mil pessoas, segundo organização, neste sábado, 15

Marcha Global pelo Clima tem público fiel debaixo do calorão, velório de combustíveis fosseis e fala de ministras
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A Marcha Global pelo Clima, em Belém, foi uma espécie de imersão do por que é necessário mudar, para ontem, os rumos do planeta. Debaixo de um calor que bateu 33° neste sábado, 15, em meio à umidade característica da Amazônia, cerca de 70 mil pessoas, segundo os organizadores, se concentraram em manifesto vivo contra o racismo ambiental e as desigualdades agravadas pela crise climática O ato foi marcado por falas de ministras, blocos temáticos até com velório dos combustíveis fósseis e encerramento em clima de carnaval.

O primeiro sábado da COP30 já é tradicionalmente conhecido por ser um dia reservado para manifestações organizadas por movimentos sociais, ONGs e organizações da sociedade civil. A Marcha, no entanto, não integra a agenda oficial da ONU, nem da própria conferência. Mesmo assim, ministras não deixaram de comparecer.

Marina Silva, do Meio Ambiente, foi a primeira a falar em cima de um dos carros de som. Durante a sua, fez questão de exaltar a democracia brasileira e lembrou que as últimas edições das Conferências do Clima aconteceram em países autoritários, que proibiam manifestações populares (Egito - COP27, Emirados Árabes - COP28 e Azerbaijão - COP29).

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 Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil e Sonia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas do Brasil participam da “Marcha Global pelo Clima”

A ministra endossou o discurso do presidente Lula e afirmou que a "COP30 é a COP da verdade". "Que pese nossos desafios e contradições, nós temos que fazer o mapa do caminho para a transição, para o fim da dependência do petróleo, do carvão... É fundamental que o mundo mostre que vamos nos adaptar."

Já para Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, o ato coletivo deste sábado transforma as ruas em Zona Azul neste momento -- fala que acontece após uma semana marcada por tentativas de invasão à área restrita da COP30 e bloqueio da entrada do local pelo povo Mundukuro em busca de reivindicações

"Aqui se encontram os guardiões e guardiãs da floresta", disse Guajajara, dando abertura ao ato ao lado de Marina. "Chegamos em Belém para dizer que basta vivermos nessa emergência climática. A ONU precisa escutar e compreender essas vozes. Nós, povos indígenas, que sempre estivemos aqui, nos juntamos nesse momento para receber o mundo. Todo o mundo hoje está em Belém ou de olho em Belém", complementou a ministra.

Ativistas participam da “Marcha Global pelo Clima” durante a 30ª Conferência das Partes (COP30)

Após quase 3 horas de trajeto, a Marcha Global pelo Clima tem fim por volta de 12h20 ao chegar na Aldeia Cabana. Com o calorão, muitos foram parando pelo caminho em busca de água fresca e uma sombrinha. Mas parte do público fiel seguiu até o final --quando uma grande roda foi formada e a manifestação, que contou com blocos críticos, terminou em clima de carnaval.

A carta de reivindicação da Cúpula dos Povos seria entregue neste encerramento, mas o gesto ficou para domingo, dia 16, às 10h, na Universidade Federal do Pará (UFPA) com a presença do presidente do COP, como confirmou a organização ao Terra.

A Marcha Global Pelo Clima se dividiu em três blocos: transição energética, justiça climática e internacionalistas. Em meio a roupas e adereços coloridos de manifestantes que exaltam os múltiplos povos e culturas do Brasil, em ato de luta pelo fim do racismo ambiental e desigualdades, um grupo se destaca na Marcha Global pelo Clima. De preto, cerca de 15 mulheres resistem ao calorão de Belém com vestes pretas, em clima fúnebre, representando carpideiras -- pessoas contratadas para chorar e lamentar a morte em funerais e velórios. Ao lado de grandes caixões pretos, o que velam são os combustíveis fósseis.

"Tem que ser em breve, se não não teremos futuro. Se não mudarmos agora não vamos existir num futuro", afirmou Krishna Silva, de 26 anos, ao representar uma carpideira.

E como é posto no nome, se trata de uma marcha global. Em meio à multidão a reportagem encontrou Andrea Cristina Mercado, que viajou de Miami, nos Estados Unidos, apenas para participar do ato. Ela, que é de origem peruana, enfatizou que a manifestação foi promovida pelo povo e para o povo.

“Temos movimentos de todo o mundo aqui reunidos, como povos indígenas, sindicatos e feministas. Aqui nesta marcha hoje temos a oportunidade de levantar nossas vozes pelo clima, pelas florestas e para acabar com as petrolíferas que estão destruindo o mundo”, declarou, acrescentando que o povo tem as soluções para deixar um futuro melhor para as crianças de hoje.

Outra que marcou presença foi Francisca Silva, de 60 anos, por meio do Movimento dos Atingidos por Barragens. Ela foi uma das vítimas no município de Coronel João Sá (BA) atingidas pelo rompimento da barragem do Quati, em São Pedro Alexandre (BA), cidade vizinha, em 2019.


Francisca Silva
Foto: Adrielle Farias/Terra
“Nosso movimento veio protestar contra toda essa situação. O povo está sendo retirado de suas localidades por conta desses desastres. Toda a história de vida que a gente viveu foi perdida”, lamentou.

Já o artista dinamarquês Jens Galschiet levou uma estátua para criticar Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. “Representa o Trump no topo de mim, de você, do clima. Ele governa com ameaças”, detalhou.

Fonte/Créditos: Terra

Créditos (Imagem de capa): Foto: Aline Massuca/COP30

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