Um morador de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, viveu uma situação surpreendente ao descobrir que o corpo de sua mãe desapareceu do jazigo onde havia sido sepultado. No lugar, segundo ele, foi encontrado o cadáver de um homem. O caso aconteceu no Cemitério Municipal São Miguel e está sendo investigado pela 72ª DP (Neves).
Alexandre Ribeiro da Silva, de 54 anos, procurou a polícia após tentar realizar a exumação dos restos mortais de sua mãe, Vera Lúcia Ribeiro da Silva, falecida em 2022. A intenção da família era transferir os restos mortais para outro cemitério, em Niterói, para que ela fosse sepultada ao lado do marido, atendendo a um desejo manifestado em vida.
Segundo Alexandre, quando retornou ao cemitério para dar início ao processo, funcionários informaram inicialmente que o corpo ainda não poderia ser exumado. Meses depois, ao retomar o procedimento, a família descobriu que os restos mortais encontrados não correspondiam aos da mulher.
— O corpo que encontramos era de uma pessoa vestida com calça e blusa, além de possuir aparelho nos dentes. Minha mãe foi enterrada com um vestido branco — relatou.
Outro corpo teria sido enterrado na mesma sepultura
Após a denúncia, a administração do cemitério revisou registros de sepultamentos e constatou que, em 2024, outro cadáver foi enterrado na mesma cova onde Vera Lúcia havia sido sepultada dois anos antes.
A descoberta levantou novas dúvidas para a família, que agora teme que o desaparecimento dos restos mortais tenha ocorrido há mais tempo.
— Estamos praticamente vivendo o luto novamente. Queríamos cumprir a vontade dela, mas agora nem sabemos onde estão seus restos mortais. Queremos respostas e justiça — afirmou Alexandre.
Polícia investiga outras denúncias
O caso passou a integrar uma investigação mais ampla conduzida pela Polícia Civil. Segundo o delegado Mario Lamblet, titular da 72ª DP, existem outras denúncias envolvendo possíveis desaparecimentos de corpos em cemitérios da cidade.
Administradores, coveiros e demais funcionários deverão prestar depoimento, enquanto documentos e registros de sepultamentos estão sendo analisados.
— Algumas denúncias surgiram após a abertura da investigação inicial. Estamos apurando todos os casos em conjunto para verificar o que ocorreu — explicou o delegado.
As apurações envolvem possíveis crimes como ocultação e vilipêndio de cadáver.
Polêmica sobre gestão dos cemitérios
O episódio ocorre em meio a discussões sobre a gestão dos cemitérios municipais de São Gonçalo. Neste ano, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) suspendeu uma licitação de aproximadamente R$ 385 milhões destinada à concessão dos cemitérios da cidade por 25 anos.
Segundo o TCE, foram identificados indícios de irregularidades no edital, incluindo possíveis restrições à concorrência. A disputa já havia enfrentado questionamentos semelhantes em processos anteriores.
Enquanto a investigação avança, familiares de pessoas sepultadas nos cemitérios do município cobram esclarecimentos sobre os procedimentos adotados e sobre a localização de corpos que teriam desaparecido das unidades funerárias.
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