O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou uma entrevista nesta quinta-feira (28) para lançar ataques contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que já se coloca como pré-candidato à Presidência em 2026. Chamando o mineiro de “falso humilde” e “mentiroso”, Lula ironizou o vídeo em que Zema comeu uma banana com casca em protesto contra o preço dos alimentos.
“Quem quiser conhecer o Zema, assista ao Roda Viva. Porque, quando ele aparece nas redes dele comendo uma banana com casca, ele poderia ter sido mais radical: comer um abacaxi com casca ou até uma jaca. Seria muito melhor para mostrar a bobagem que ele tentou passar ao povo”, disse o petista.
A declaração reforça o estilo agressivo de Lula em relação a adversários políticos, apesar de ele mesmo pregar a necessidade de “pacificar o país”.
Contradições e defesa de Pimentel
O presidente também saiu em defesa do ex-governador petista Fernando Pimentel, derrotado por Zema em 2018 e amplamente criticado por má gestão e atraso no pagamento de servidores.
Sem reconhecer os problemas da gestão de Pimentel, Lula acusou Zema de “mentir” sobre as dívidas de Minas Gerais com a União. O petista minimizou o fato de que o estado passou seis anos sem pagar a conta, beneficiado por uma liminar do STF obtida ainda por Pimentel. Hoje, o passivo já ultrapassa R$ 170 bilhões.
Zema fala em pacificação e Lula insiste no confronto
No Roda Viva, citado por Lula, Zema defendeu a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e classificou os atos de 8 de janeiro como “baderna e insatisfação”, rejeitando a versão de golpe e pregando pacificação nacional.
Enquanto isso, Lula voltou a elevar o tom contra o mineiro, acusando-o de tentar “descaracterizar a honradez do povo mineiro” — declaração que soou como exagero e rendeu críticas até mesmo de aliados.
Cemig: Lula usa estatal como trunfo político
Lula também aproveitou a entrevista para sinalizar apoio à candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo de Minas. O petista falou em usar estatais para abater dívidas com a União, mas descartou qualquer possibilidade de privatizar a Cemig, contrariando especialistas que defendem modernização e eficiência no setor elétrico mineiro.
“Se a gente ficar com a Cemig, ela não será privatizada. Será moralizada publicamente e continuará sendo a grande empresa que sempre foi para Minas Gerais”, disse Lula, reforçando sua resistência histórica à privatização — mesmo diante da crise fiscal do estado.
Créditos (Imagem de capa): Ricardo Stuckert/PR/Instagram)