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Terça-feira, 21 de Abril 2026
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Jejum de 16 horas pode aumentar eficácia da imunoterapia contra o câncer, aponta estudo

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Jejum de 16 horas pode aumentar eficácia da imunoterapia contra o câncer, aponta estudo
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Uma pesquisa recente identificou que restringir o consumo calórico durante 16 horas modifica o ambiente celular tumoral, permitindo que as defesas naturais do organismo atuem com maior intensidade. Até pouco tempo atrás, modificar a alimentação durante um tratamento oncológico parecia uma medida secundária em comparação ao poder da medicina moderna. No entanto, um novo estudo publicado na revista Cell Metabolism está mudando essa percepção. Pesquisadores descobriram que um jejum breve de 16 horas pode melhorar significativamente a eficácia da imunoterapia em pacientes com câncer. A notícia gerou grande interesse na comunidade médica internacional, não apenas pela simplicidade da intervenção, mas também pelo potencial desses resultados para transformar a maneira como o tratamento do câncer é abordado.

O cardiologista Eric Topol expressou seu acordo com as conclusões do estudo e destacou que, embora o jejum intermitente não mostre sempre vantagens em todas as análises globais, existem “benefícios específicos documentados” que já estão apresentando resultados concretos, especialmente ao potencializar a ação da imunoterapia. A equipe liderada por Sheng Chen da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang comprovou que um regime de jejum de 16 horas pode alterar o ambiente interno do tumor. Segundo os autores, esse estresse nutricional transitório altera as preferências de nutrientes das células tumorais e abre uma janela que pode ser aproveitada para melhorar os resultados do tratamento.

O mecanismo central é a acumulação de isoleucina dentro do tumor, um aminoácido que potencia a função dos linfócitos T CD8+, células responsáveis por atacar e eliminar as células malignas. Em testes com ratos e pacientes com câncer colorretal, o jejum permitiu que os linfócitos T recuperassem sua capacidade de eliminar células tumorais e reforçassem a resposta à imunoterapia. O jejum promoveu a expansão e a atividade citotóxica das células T de memória, ressaltou o estudo. A equipe de pesquisa destaca a viabilidade clínica e a boa tolerância a este protocolo, similar ao jejum pré-operatório aplicado em hospitais.

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Topol concordou com a relevância destes resultados e sublinhou que, ainda que os benefícios do jejum intermitente não apareçam em todos os metanálises, este tipo de intervenção contribui para o sucesso da imunoterapia no câncer. O microambiente tumoral é um espaço onde as células malignas e as imunológicas disputam pelos mesmos nutrientes. As primeiras costumam dominar, o que restringe a ação do sistema imunológico e limita a eficácia dos tratamentos. O jejum breve gera uma “janela metabólica” na qual as células imunes aproveitam os metabólitos que as células tumorais deixam de priorizar. Esta descoberta estabelece as bases para projetar terapias combinadas que aproveitem as vulnerabilidades metabólicas do tumor, afirmaram os pesquisadores de Cell Metabolism.

De forma semelhante, uma meta-análise liderada por Zeyao Wang e publicada em medRxiv apoia a segurança e eficácia do jejum intermitente como complemento no tratamento do câncer. O jejum é um tratamento adjuvante seguro e eficaz para o câncer, que melhora os resultados terapêuticos ao mesmo tempo que garante a segurança do paciente. A análise, que incluiu dados de ensaios clínicos e do UK Biobank, detectou que a combinação de jejum com tratamento convencional elevou a taxa de resposta tumoral completa e parcial (RR=1,22; IC 95% [1,03, 1,44]; P=0,02). O documento observou que os índices de resposta completa e parcial no grupo de jejum foram significativamente mais altos do que no grupo com dieta normal.

Além disso, o jejum reduziu o dano no DNA das células imunológicas e melhorou parâmetros metabólicos chave como a glicose, a insulina e o IGF-1. Não foram relatados efeitos adversos graves adicionais nem alterações hematológicas relevantes em quem fez jejum. Outras revisões sistemáticas recentes reforçam que o jejum intermitente foi seguro durante a quimioterapia e se associou a menos fadiga, náuseas e dores de cabeça. Também foram observadas melhorias em marcadores glicêmicos e menor dano no DNA dos glóbulos brancos.

Apesar destes resultados encorajadores, a evidência sobre se o jejum reduz a recorrência tumoral ou melhora a sobrevida a longo prazo ainda é insuficiente. Não houve evidência clara de que o jejum influencie na eficácia da quimioterapia, redução tumoral ou taxa de recorrência, concluiu a revisão da National University of Health Sciences. Estudos recentes concordam que o jejum, quando bem planejado e supervisionado, representa uma estratégia segura e potencialmente útil para reforçar o tratamento do câncer. Alterações na glicose, insulina e IGF-1 podem se tornar novos biomarcadores de resposta. A integração do jejum em protocolos clínicos ainda requer mais estudos em grande escala e seguimento prolongado, além da colaboração de equipes multidisciplinares.

Fonte/Créditos: Gazeta Brasil

Créditos (Imagem de capa): Shutterstock

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