"Os ataques ilegais e criminosos perpetrados pelos Estados Unidos nas últimas horas constituem não apenas uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, mas também tiram o sentido do cessar-fogo", reagiu o Ministério das Relações Exteriores, em comunicado. Apesar das novas tensões, os esforços para alcançar um acordo preliminar entre o Irã e os Estados Unidos se intensificaram. As discussões giram principalmente em torno de um mecanismo para o desbloqueio de recursos iranianos congelados no exterior.
Um compromisso político já teria sido alcançado, mas o Irã espera que entre US$ 6 bilhões e US$ 12 bilhões em ativos congelados sejam devolvidos a Teerã. "Washington quer liberar os fundos em parcelas para bens de finalidade humanitária e se recusa a simplesmente devolvê-los ao Irã", afirmou uma fonte iraniana.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, acusou o país de "brincar de gato e rato" nas negociações. "Se tivermos que negociar com bombas, negociaremos com bombas, e somos muito bons nisso", ameaçou.

Já Donald Trump acusa Teerã de protelar as negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio. "Estávamos realmente prestes a concluir um acordo, mas eles continuam nos enganando, estão zombando de nós", afirmou o presidente americano à imprensa na quarta-feira (10). O Paquistão, país mediador na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, lamentou nesta quinta-feira a "escalada" militar nos últimos dias no Oriente Médio e reiterou seu apelo por uma "solução negociada".
"A diplomacia e o diálogo devem ser os princípios básicos para alcançar uma solução", declarou à imprensa, em Islamabad, o porta-voz da diplomacia paquistanesa, Tahir Andrabi, após novos bombardeios durante a noite no Golfo. Os negociadores do Catar haviam chegado a Teerã na véspera para tentar reduzir as divergências entre os EUA e o país.
Bombardeios dos EUA
Os Estados Unidos realizaram, na madrugada desta quinta-feira, novos bombardeios contra o país, que reagiu com ataques a bases militares no Kuwait e no Bahrein.
Segundo o exército americano, a ofensiva no Irã visou "instalações de vigilância militar, sistemas de comunicação e locais de defesa aérea iranianos em todo o país", sobretudo no sul. Mas áreas próximas à capital também foram atingidas, especialmente em Karaj, Nazarabad e Pishva, segundo a Guarda Revolucionária.
Explosões foram ouvidas na ilha de Qeshm, em Minab, Sirik e no porto de Bandar Abbas, no sul do país. No Irã, pelo menos três pessoas ficaram feridas na região de Teerã após os ataques conduzidos pelos Estados Unidos durante a noite, informou a agência Fars.
A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado drones contra bases militares de Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber, no Kuwait, e contra a base aérea Sheikh Isa, no Bahrein. A imprensa iraniana também anunciou um ataque ao quartel-general da 5ª Frota americana no Bahrein.
Sirenes de alerta aéreo foram acionadas no Bahrein, segundo o Ministério do Interior. No Kuwait, o Exército anunciou estar "combatendo alvos aéreos hostis", e a autoridade de aviação civil fechou o espaço aéreo do emirado e prometeu atacar todos os navios que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz.
Ainda nesta quinta-feira, o Kuwait anunciou a reabertura de seu espaço aéreo e a retomada das atividades em seu aeroporto internacional, após a interrupção provocada pelos ataques iranianos. O Irã também afirma ter disparado 12 mísseis balísticos contra a base de Al-Azrak, na Jordânia, usada pelos Estados Unidos.
O Exército jordaniano informou na quinta-feira ter derrubado 20 mísseis iranianos, após a Guarda Revolucionária iraniana divulgar que atacou um centro de comando americano no país.
"Na quinta-feira de madrugada, os sistemas de defesa aérea e a força aérea interceptaram e derrubaram 20 mísseis que tinham sido lançados do Irã em direção a Azraq", onde está localizada uma base americana, declarou uma autoridade militar citada em comunicado, referindo-se a uma área situada a cerca de 80 km a leste de Amã. "A interceptação resultou na queda de diversos destroços, sem causar vítimas nem danos materiais", segundo a mesma fonte.
Marinheiros indianos morrem em ataque
Os três marinheiros indianos dados como desaparecidos após um ataque reivindicado pelo Exército americano na quarta-feira contra um petroleiro de bandeira de Palau, ao largo de Omã, morreram, anunciou o ministro indiano dos Transportes Marítimos, Sarbananda Sonowal, no X.
It is deeply unfortunate to learn of the tragic incident aboard the Palau-flagged MT Settebello. Sadly, three Indian seafarers initially reported missing are now confirmed dead after bodies have been located and identified.
This is a profound loss to our maritime family. The…
— Sarbananda Sonowal (@sarbanandsonwal) June 11, 2026
O exército americano confirmou que um de seus aviões de combate abriu fogo na quarta-feira contra o Setebello, que, segundo os EUA, tentava exportar petróleo iraniano apesar do bloqueio imposto por Washington. O Comando Militar americano para o Oriente Médio (Centcom) informou no X que o disparo teve como alvo "a casa de máquinas" do navio "após a tripulação recusar obedecer às ordens das forças americanas".
A Índia convocou na quarta-feira à noite o encarregado de negócios americano em Nova Délhi e expressou "forte protesto" em relação ao ataque, indicou à AFP um alto funcionário do governo indiano. Vinte e quatro marinheiros indianos estavam a bordo do petroleiro. O Setebello é o oitavo navio neutralizado desde o início do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, segundo o Exército americano.
Na segunda-feira (8), equipes de resgate de Omã evacuaram de helicóptero 24 indianos de outro petroleiro registrado em Palau, o Marivex, atingido por tiros americanos quando estava ao largo de Omã. O sultanato fica na entrada do Estreito de Ormuz.
Washington, que também impõe um bloqueio aos portos iranianos, negou qualquer bloqueio do Estreito. "Navios comerciais continuam a transitar pelo Estreito de Ormuz esta noite", escreveu no X o Comando Militar americano para o Oriente Médio (Centcom).
https://t.co/06XEfevOgs
— U.S. Central Command (@CENTCOM) June 11, 2026
Netanyahu pede 'ajuda' dos libaneses
Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu aos libaneses que se juntem à luta de Israel contra o Hezbollah, afirmando que o país foi "feito refém" pelo grupo pró-iraniano. Após ataques israelenses a Beirute, Irã e Israel realizaram ataques recíprocos no domingo e na segunda-feira, pela primeira vez desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre Teerã e Washington em 8 de abril.
Teerã exige que o Líbano, onde seu aliado Hezbollah enfrenta Israel desde 2 de março, seja incluído em qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro por um ataque israelo-americano contra o Irã. Mais de 3.600 pessoas foram mortas no Líbano em ataques israelenses desde o início da guerra.
Fonte/Créditos: Terra
Créditos (Imagem de capa): Foto: RFI
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