O advogado Jeffrey Chiquini, que assumiu recentemente a defesa de Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (8) que a investigação conduzida nos Estados Unidos sobre a suposta viagem de Martins ao país, no fim de 2022, está em estágio avançado e trouxe descobertas graves.
Segundo Chiquini, foi identificado que o registro de entrada de Filipe Martins no sistema imigratório norte-americano foi adulterado por uma pessoa com parentesco direto com uma autoridade brasileira envolvida no caso. “Esse indivíduo tem parentesco com um brasileiro que tem envolvimento no caso. É grave. Tem parentesco próximo com (uma) autoridade brasileira”, declarou.
O advogado evitou citar nomes, mas afirmou que a fraude pode levar à prisão de agentes públicos no Brasil. “Esse caso é muito grave. Agentes públicos deveriam estar presos”, disse, acrescentando que o desfecho da investigação nos EUA deve ocorrer até o fim de julho.
Filipe Martins é réu em uma ação penal que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele foi preso pela Polícia Federal por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusado de ter viajado clandestinamente aos EUA na comitiva do então presidente Jair Bolsonaro, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. A defesa, no entanto, sustenta que Martins permaneceu o tempo todo no estado do Paraná, e apresenta documentos que comprovariam sua presença no país.
Chiquini também sugeriu que as recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em defesa de Bolsonaro, foram motivadas após o republicano tomar conhecimento do conteúdo das investigações que envolvem Filipe Martins.
De acordo com a Polícia Federal, Filipe integraria o chamado "núcleo jurídico" da presidência, que teria elaborado estratégias jurídicas e a chamada “minuta do golpe”, com o objetivo de anular o resultado eleitoral que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva.
O jornalista Cláudio Dantas, do site O Antagonista, antecipou em reportagem que os advogados de Martins devem acionar autoridades americanas para responsabilizar os envolvidos na falsificação do registro migratório. A defesa também estuda encaminhar a denúncia ao Congresso brasileiro.