Detida há mais de um ano por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, a servidora aposentada Iraci Nagoshi, de 71 anos, divide cela com outras cinco mulheres no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Segundo relatos da família, ela dorme no chão por falta de camas no local.
Iraci, que é hipertensa e sofre com fortes dores nas costas, está presa preventivamente desde fevereiro de 2023. A defesa afirma que não há condenação transitada em julgado contra ela e que a manutenção da prisão viola princípios constitucionais, especialmente considerando sua idade avançada e condições de saúde.
Em entrevista à Revista Oeste, a filha de Iraci, Sayuri Nagoshi, contou que a mãe está "muito abalada" e que a situação da cela é precária: "Ela divide espaço com cinco pessoas e não tem cama. Está dormindo no chão."
A detenção de Iraci se insere no contexto das prisões em massa após os atos do 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncias em série, e o Supremo Tribunal Federal passou a julgar os envolvidos. Até agora, centenas foram condenados, enquanto outros aguardam julgamento em regime fechado.
Organizações de direitos humanos e juristas têm levantado preocupações quanto ao tratamento dispensado a alguns dos réus, especialmente aqueles idosos ou sem antecedentes criminais.
A defesa de Iraci já entrou com sucessivos pedidos de liberdade provisória ou prisão domiciliar, todos negados pelo relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes.