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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
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Hantavírus pode ser transmitido sexualmente e sobreviver no sêmen humano por até 6 anos após infecção, aponta estudo

Pesquisadores afirmam que cepa Andes, ligada ao surto no navio MV Hondius, pode ter potencial para transmissão sexual

Hantavírus pode ser transmitido sexualmente e sobreviver no sêmen humano por até 6 anos após infecção, aponta estudo
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Cientistas suíços do Laboratório Spiez divulgaram uma descoberta considerada preocupante sobre o hantavírus da cepa Andes. Segundo estudo publicado na revista científica Viruses, o vírus pode permanecer presente no sêmen humano por até seis anos após a infecção inicial.

A pesquisa analisou o caso de um homem de 55 anos que havia contraído a cepa Andes durante viagem à América do Sul seis anos antes. Essa é a mesma variante associada ao recente surto registrado a bordo do navio de expedição MV Hondius.

Os pesquisadores não encontraram vestígios do vírus no sangue, na urina ou no trato respiratório do paciente. No entanto, o hantavírus ainda foi detectado no sêmen cerca de 71 meses após a infecção.

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Segundo os cientistas, os testículos podem funcionar como uma espécie de “reservatório” para o vírus, permitindo que ele permaneça escondido do sistema imunológico por longos períodos.

Fenômeno semelhante já havia sido observado em doenças como Ebola e Zika.

Os autores do estudo afirmaram que os resultados indicam que o vírus Andes “tem potencial para transmissão sexual”. Apesar disso, os pesquisadores ressaltaram que não há registros oficiais comprovando transmissão sexual do hantavírus em humanos até o momento.

O estudo reacendeu preocupações após o recente surto envolvendo o MV Hondius, navio de expedição onde três passageiros morreram, outros oito adoeceram e dezenas de pessoas precisaram permanecer em quarentena.

Especialistas da empresa Airfinity, que monitora riscos globais à saúde, defendem que pacientes homens infectados pela cepa Andes recebam orientações prolongadas sobre sexo seguro, mesmo após o período padrão de quarentena.

A recomendação é baseada em protocolos semelhantes aos adotados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para sobreviventes do Ebola.

Entre as orientações sugeridas estão testes periódicos de sêmen a cada três meses, uso consistente de preservativos e abstinência sexual até a confirmação de resultados negativos consecutivos.

Os cientistas explicam que os testículos são considerados um “porto seguro” para determinados vírus porque as células reprodutivas possuem proteção natural contra respostas agressivas do sistema imunológico.

Segundo o estudo, pelo menos 27 tipos diferentes de vírus já foram encontrados no sêmen humano, incluindo Zika, Ebola, Chikungunya, Lassa e febre do Vale do Rift.

Os hantavírus são normalmente transmitidos por roedores, principalmente por meio da inalação de partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva dos animais infectados.

A maioria das variantes do hantavírus não se espalha entre humanos. A principal exceção conhecida é justamente a cepa Andes, considerada rara e associada a possíveis transmissões interpessoais.

Os sintomas da doença costumam aparecer entre duas e quatro semanas após a exposição e incluem febre, fadiga intensa, dores musculares, dor abdominal, náuseas e vômitos. Em casos graves, a infecção pode provocar falta de ar severa e acúmulo de líquido nos pulmões, exigindo hospitalização.

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