O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, confirmou nesta segunda-feira (22) que o governo do presidente Donald Trump estuda conceder apoio financeiro à Argentina através do Fundo de Estabilização Cambial (ESF, na sigla em inglês).
Segundo Bessent, estão em análise “todas as opções de estabilização”, incluindo linhas de swap — mecanismos de proteção contra oscilações cambiais —, compras de moeda argentina e até aquisição de dívidas públicas pelo fundo controlado pelo Tesouro norte-americano.
Em publicação no X (antigo Twitter), o secretário classificou a Argentina como “um aliado sistematicamente importante” dos EUA na região. Citando o slogan de Trump, acrescentou: “As oportunidades para investimento privado seguem expansivas e a Argentina será grande novamente”.
Otro extraordinario apoyo a la Argentina y su estabilidad y crecimiento por parte del organismo mundial de asistencia a los países con problemas en su balanza de pagos. https://t.co/C6yLqUYU1O
— Federico Pinedo (@PinedoFederico) September 22, 2025
Poucos minutos depois, o presidente argentino Javier Milei (La Libertad Avanza) agradeceu o gesto, também pelas redes sociais. “Apoio incondicional”, escreveu o líder argentino, que tem reforçado sua aliança com Trump desde que assumiu a Casa Rosada.
O ESF, criado em 1934, é administrado pelo Tesouro norte-americano e dispõe de cerca de US$ 22 bilhões em ativos líquidos para operações emergenciais no mercado cambial. A sinalização de Washington ocorre em meio a uma forte crise financeira no país vizinho: o peso argentino acumula queda de 24,7% frente ao dólar até o início de setembro, o pior desempenho entre todas as moedas globais em 2025.
A turbulência se agravou após a derrota eleitoral do partido de Milei na província de Buenos Aires, em 7 de setembro, para a coalizão peronista, episódio que derrubou a bolsa e aumentou a pressão sobre o câmbio. Somam-se a isso denúncias de corrupção contra a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, irmã do presidente, ampliando as incertezas políticas.
Neste ano, a Argentina já utilizou o limite de US$ 20 bilhões em resgates do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que levou Milei a buscar reforço junto a Washington. Atualmente, o país concentra quase metade dos US$ 125 bilhões em empréstimos pendentes do FMI em todo o mundo.
Bessent, Trump e Milei têm encontro marcado para esta terça-feira (23), em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, onde deverão discutir os próximos passos do possível socorro.
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